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novembro 22, 2005
A controvérsia da opção no apoio à candidatura presidencial
Sinceramente acredito na afirmação de Manuel Alegre. Esgotadas as tentativas de Sócrates em apoiar as candidaturas dos Antónios, Guterres e Vitorino à Presidência da República, restava-lhe pouca margem de manobra para avançar com um candidato que à partida garantisse ao PS a sua vitória. Daí não estranhar que, tendo Manuel Alegre manifestado a sua disponibilidade para avançar, José Sócrates encarasse a possibilidade de ser o mesmo proposto como candidato do partido. Só que as decisões na direcção do PS passam sempre em última instância pelo parecer dos maçons do partido e a estes obviamente que a ideia não lhes agradou daí a opção ter sido mudada e encaminhada no sentido do candidato ser Mário Soares.
Manuel Alegre não tem de temer o facto de não ser apoiado pelo seu partido, pois está provado que não são as dezenas de milhares de militantes dos partidos que definem uma eleição, nem agora nem nunca. São os outros, aqueles que, não sendo militantes e não estão à espera que o partido lhes arranje emprego, os que efectivamente decidem uma eleição. Para nós é indiferente se Sócrates tencionava apoiar a candidatura de Manuel Alegre. O importante é que a direcção do PS face à sua má escolha, saía desfeiteado com a derrota da Mário Soares, para duma vez por todas se capacitarem que as direcções dos partidos nem sempre optam pelas melhores escolhas dos candidatos para os representar.
Publicado por rajodoas às novembro 22, 2005 10:44 PM
Comentários
Muito bem escrito caro amigo.
Um abraço de amizade.
Paulo
(também aqui)
Publicado por: paulo às novembro 22, 2005 11:25 PM
Acredito na sinceridade do Manel e isto ainda dá bota...
Publicado por: hammer às novembro 23, 2005 12:52 AM
Há aqui várias imprecisões que se impõe esclarecer, mas antes, eu gostaria de saber se, de facto, Alegre não é maçon. É que eu não tenho a certeza acerca disso.
O que Alegre diz é que foi sondado, várias vezes, para se candidatar e que acabou por decidir fazê-lo, "mas sem a alegria que tem hoje"; o que quer dizer que o próprio Alegre se conformou com a ideia de se candidatar, mais do que se "disponibizou, no sentido aqui assumido.
Alegre também diz que, no dia em que esperava ser convidado, formalmente, por Sócrates e estava disposto a aceitar, Sócrates lhe disse que Soares o contactara dizendo que se candidataria, se o PS apoiasse e, portanto, Sócrates achou que não tinha alternativa... pelo que esperava o apoio de Alegre, apoio que este recusou por não concordar. Isto são palavras de Alegre que eu ouvi na rádio e que dão uma ideia bem diferente do que está neste texto. Mas isso também não é importante.
Quando a Sócrates, ele não desmente Alegre; apenas "impõe a sua versão" a que lhe convém "assumir". Claro que estamos a falr dum mentiroso. Por isso, nesta história, eu acredito em Alegre e não em Sócrates, até porque não tenho razões para duvidar da palavra de Alegre como tenho de Sócrates.
O meu problema quanto ao apoio a Alegre é outro: é que eu me recuso a "votar no mal menor", como ele o é. Se se trata de eleger um Presidente, tenho o direito de só dar o meu voto a alguém que eu ache ter condições para exercer o cargo como é necessário. Não acredito que Alegre tenha a determinação e clarividência necessárias para isso.
Publicado por: Biranta às novembro 23, 2005 01:19 PM
como marginalizado também, estou solidário com ele e vou votar nele.Aliás mandei hoje a minha declaração de propositura.
Publicado por: fernando nogueira gonçalves às novembro 23, 2005 02:08 PM
A questão é mais profunda!
Os partidos políticos têm mostrado a sua mediocridade e revelam-se incapazes de se reformarem.
Se a sociedade civil o permitir, os vícios do sistema aparecerão na sua verdadeira grandeza e, daí à destruição de Portugal, é um ápice.
Publicado por: Manuel Marques às novembro 23, 2005 02:57 PM