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março 27, 2005
A arte de representar desencadeia sentimentos racistas
ISLAMABAD, Paquistão – Com uma aparência linda e um jeito sensual de dançar, a atriz paquistanesa que se chama de Meera ganhou a adoração de cinéfilos neste país.
Mas agora ela teme pela vida.O crime: a mídia indiana noticiou um beijo dela com ator indiano na tela, enquanto estrelava um filme indiano. O aspecto mais destacado disso é que o actor em questão, Ashmit Patel, é hindu.
O filme, “Nazar”, da diretora indiana Soni Radzan e seu marido, o produtor Mahesh Bhatt, ainda nem foi lançado, mas a notícia de que ela o beijou no filme, que chegou na imprensa no mês passado, trouxe uma tempestade de crítica.
Canais de notícias locais repetidamente mostram flashes do filme: ele se aproxima dela, os lábios ficam cada vez mais próximos, e ela dá um longo suspiro. Mas então, como os censores não permitem que um beijo seja mostrado na televisão paquistanesa, a imagem fica escura e o resto cabe à imaginação de cada um.
Islâmicos conservadores ficam enraivecidos só de pensar em uma mulher muçulmana beijando um hindu. Alguns pediram por desculpas; outros pediram processo, para que ela fosse censurada por “uma cena imoral” – não se sabe o que a corte faria se concordasse com isso – e outros fizeram ameaças de morte.
Meera, que diz ter 24 anos de idade, admitiu em entrevista por telefone que ela beijou o ator, embora em outras entrevistas ela havia indicado o contrário. Ela negou, entretanto, que há cenas “vulgares ou ousadas” no filme. “É uma controvérsia sem nenhum fundamento”, falou de Karachi, cidade onde está desde que voltou da Índia, no dia 9 de março. As atitudes dela no filme, ela insistiu, eram em fazer o que a personagem exigisse. “Atuação significa liberdade de expressão”, acrescentou.
“Talvez eles quisessem que eu trabalhasse de burca no filme”, ela falou. “Eu tenho a mente aberta. Não quero falar para as pessoas o que fazer, o que vestir e qual corte de cabelo usar”.
Ela e a família, que vive em Lahore, dizem que receberam diversos telefonemas ameaçadores no mês passado. Ela falou que não vai retornar ao Paquistão a não ser que o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, garanta a sua segurança. “Preciso de protecção, estou morrendo de medo de voltar para Lahore”.
A bagunça vem num momento quando inúmeros actores paquistaneses foram para a indústria de filmes indianos, que é muito mais lucrativa. Enquanto Bollywood faz muito sucesso, a indústria paquistanesa, baseada em Lahore e agora conhecida como Lollywood, está em declínio.
Oficialmente, é ilegal mostrar filmes indianos em salas de cinema paquistanesas, mas existe um grande mercado negro para eles. As pessoas os assistem em videocassetes ou aparelho de DVD, e as estrelas de filmes indianos são nomes familiares no Paquistão.
As poucas salas de cinema do Paquistão estão pressionando pelo direito de exibir filmes de Bollywood. Donos de cinemas ameaçam entrar em greve por causa da questão.
Alguns expressaram surpresa com o fato de que notícias sobre o filme de Meera tenham causado tanta crítica.
Meera continua dizendo que não fez nada errado. “Eu sou uma actriz profissional, mas algumas pessoas levam isso para o lado pessoal”, disse ela.
Notícia:The New York Times
Publicado por rajodoas às março 27, 2005 10:00 PM
Comentários
Um abraço tb para ti Raul!
Publicado por: bin_tex às março 28, 2005 11:11 AM
Estas intolerâncias religiosas são para lamentar, no entanto temos também que ser tolerantes para com a cultura dos outros povos. Mais a mais, nós ocidentais, não somos exemplo para ninguém.
Um abração do
Zecatelhado
Publicado por: zecatelhado às março 28, 2005 07:51 PM