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outubro 15, 2004
Muito se tem dito nada se tem feito
Os sucessivos governos do pós 25 de Abril, pelo menos a partir da altura
em que reconheceram que as reformas do ensino que decorreram a se-
guir à queda da ditadura, tinham-se revelado ineficazes porque estiveram
longe de satisfazer as necessidades do mercado de emprego. É sabido
que a maior parte dos cursos de letras que foram criados quer ao nível do
ensino público quer do privado, não têm aplicabilidade, nem para os seus
detentores nem para os postos de trabalho que o mercado oferece. Como
consequência deste enorme disparate estruturado pelas sucessivas refor-
mas do ensino, contribuem presentemente para que a maior taxa de de-
sempregados se situe em jovens licenciados à procura do primeiro empre-
go. E isto porque a saída que outros anteriores detentores desses cursos
encontraram foi a carreira docente, que como se sabe já deixou de ser
uma alternativa. Não se vislumbra pois da parte dos ultimos governos e
sobretudo do ministério que tutela a área da educação o encarar respon
sável de uma reforma profunda do ensino que actualmente se ministra
em Portugal porque a maioria dos actuais cursos não asseguram empre-
go aos candidatos que concluem as licenciaturas, nem colmatam as ne-
cessidades do mercado de emprego que continua a debater-se com a di-
ficuldade de angariar profissionais que possuam formação adequada pa-
ra o exercício de determinados postos de trabalho. Em conclusão. Possui
mos um sistema de ensino que não propicia aos mais variados detentores
de cursos de letras, sim porque isto passe-se essencialmente a este nível,
dado que os possuidores de cursos de ciências têm mais facilidade de em-
prego, não conseguem hoje, tal como ontem, arranjar um emprego com-
patível com a habilitação que possuem. Já é tempo dos responsáveis de
uma vez por todas optarem pela criação de cursos de formação de técni-
cos, consentâneos com as necessidades do mercado e não andarem a ilu
dir os jovens estudantes com cursos que não têm nenhuma viabilidade
de garantia de emprego.
Publicado por rajodoas às outubro 15, 2004 07:43 PM
Comentários
Absolutamente de acordo. Dou um exemplo: é normal os guias dos monumentos, dos locais históricos serem pessoas sem formação fundamentada. Não quero com isto dizer que não mereçam o seu posto de trabalho, sai mais barato.... Por outro lado, os locais reconhecidos como locais de cultura tambem não têm a abertura e tempo adequado aos visitantes. O normal e adequado seria atribuir esses postos de trabalho a quem tem formação. Um licenciado em história estaria bem posicionado para falar de história...em museus...
Mas, quando um país como este olha a cultura como se fosse mercadoria exposta em cabazes pouco se pode esperar. E o problema estende-se a outras àreas, pois é normal e vulgar ver um licenciado em gestão, em direito... exercer tudo, menos o que tem a ver com a objectividade da sua escolha. Quando é que isto pára?
Publicado por: hammer às outubro 15, 2004 11:22 PM