« Ilação do resultado eleitoral | Entrada | O arrepio da medida »
outubro 18, 2004
Devidamente autorizado pelo seu autor
Transcrevo:
"Tomem lá
Dedico este texto ao Dr. Alberto João Jardim, Dr. Santana Lopes, Dr.
Paulo Portas, Dr. Jorge Sampaio, dirigentes de futebol malcriados, em
particular e, em geral, a todos os que têm alguma interferência na con-
dução dos destinos deste país.
Guerra Junqueiro (1850-1923)
" Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e
sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos
de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de
dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz
de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lem-
brando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo,
enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da
sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, -
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não
descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem ca
rácter, havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam
na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a ve-
niaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo,
donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença
geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro
(...)
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de
quarto do moderador; e estes, finalmente, tornado absoluto pela abdica-
ção unânime do país, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que
sai dum ventre, - como da roda duma lotaria.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer
dela saca-rolhas; Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem
convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo cépti-
co e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um
ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e
fundindo, a-pesar-disso, pela razão que alguém deu no parlamento, -
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)
Guerra Junqueiro, in "Pátria" Posted by bartsky at outubro 18, 2004
04:39 PM
afixado por: http://votemnasputas.blogs.sapo.pt/
Publicado por rajodoas às outubro 18, 2004 10:36 PM
Comentários
Actualissimo!!!!
Publicado por: M. (de Manuela) às outubro 18, 2004 11:47 PM
É arrepiante como um texto escrito à tanto tempo é tão actual como são actuais os textos escritos pelos romanos acerca do povo que habitava o actual Portugal. na mouche, no entanto, o que Guerra Junqueira escreveu somos todos n´so e isto dá que pensar.
Publicado por: oliveirinha às outubro 19, 2004 10:24 AM
É arrepiante como um texto escrito à tanto tempo é tão actual como são actuais os textos escritos pelos romanos acerca do povo que habitava o actual Portugal. na mouche, no entanto, o que Guerra Junqueira escreveu somos todos n´so e isto dá que pensar.
Publicado por: oliveirinha às outubro 19, 2004 10:31 AM
É arrepiante como um texto escrito à tanto tempo é tão actual como são actuais os textos escritos pelos romanos acerca do povo que habitava o actual Portugal. na mouche, no entanto, o que Guerra Junqueira escreveu somos todos n´so e isto dá que pensar.
Publicado por: oliveirinha às outubro 19, 2004 10:31 AM
Sugiro ao meu amigo uma visita ao Bancada.
Bom dia Raúl.
Publicado por: Bancadaparlamentar às outubro 19, 2004 11:26 AM
Ou é este, não sei bem
Publicado por: LetrasAoAcaso às outubro 19, 2004 11:28 AM
Ou é este, não sei bem
Publicado por: LetrasAoAcaso às outubro 19, 2004 11:29 AM
Ou é este, não sei bem
Publicado por: LetrasAoAcaso às outubro 19, 2004 11:29 AM
A actualidade de alguns escritos é surpreendente, em especial, aqueles que abordam a cultura e a mentalidade portuguesa.
Publicado por: carlos a.a. às outubro 19, 2004 12:56 PM
Democracia e Liberdade em Portugal?
Enquanto o PR não pôr termo à governação deste governo, continuaremos a ter bastantes atropelos à Democracia e à Liberdade em Portugal.
O que está a dar é a malta emigrar como espero fazer brevemente, para a Europa Central.
Se Democracia, e a máxima que a Soberania reside no Povo fossem repeitadas não teriamos governos indigitados.
Ao longo da história já vimos coisas semelhantes.
Portugal assim não vai a lado nenhum, agora me recordo que, por exemplo no OE retiraram na Educação e aumentaram na Defesa.
Iremos alguma vez conseguir competir com o resto da UE, com políticas destas?
Começo a estar farto deste país!
Vou-me embora vou partir...
¨Algún día en cualquier parte,
en cualquier lugar indefectiblemente
te encontrarás a ti mismo, y ésa, sólo ésa,
puede ser la más feliz o la más amarga de tus horas.¨
Pablo Neruda
Publicado por: PUBLICUS às outubro 19, 2004 07:08 PM
até parece que o G. Junqueiro se levantou da tumba para cascar neste bando mal-cheiroso!!
Publicado por: hammer às outubro 19, 2004 07:48 PM