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setembro 26, 2004

As novas medidas do combate ao terrorismo rodoviário


Neste fim-de-semana registou-se no Algarve um brutal acidente de via-
ção que ceifou a vida a duas pessoas, tendo as imagens que forem exi-
bidas sido bem esclarecedoras da violência do embate do veiculo ligeiro
na colisão em despiste com um autocarro. Já se conseguiu apurar que
parte dos acidentes violentos com vitimas mortais são protagonizados
por condutores relativamente jovens, recém-encartados. Julgo que as
alterações que o novo Código da Estrada que vai ser debatido no parla-
mento também contempla é a reintrodução da obrigatoriedade do uso
do dístico de limitação e velocidade no veiculo conduzido pelo recém-
encartado. Quanto a esta medida, julgo que deve ser aplaudida. Mas
outras há com as quais não concordo porque não serão só por si a so-
lução da diminuição da sinistralidade rodoviária. Como sabemos as coi-
mas são substancialmente aumentadas o que faz pressupor que o obje-
ctivo primeiro do governo é o de aumentar a receita para os cofres do
Estado, através da punição dos infractores. Tem-se reconhecido que as
escolas de condução não têm tido um grande contributo na formação
dos recém-encartados. Todos nós nos damos conta de que raramente a
instrução dada pelas escolas aos seus alunos, vai para além das localida-
des na aprendizagem das manobras. Deveria ser obrigatório que determi-
nado número de horas a ministrar pelas escolas de condução, deveriam
incluir, condução nocturna e em auto-estrada, para que o aluno pudesse
demonstrar ao instructor a sua perícia e destreza na condução em velo-
cidade, através de ultrapassagens, manobra que habitualmente não reali-
za na condução dentro de localidades uma vez que circulam sempre em
velocidades reduzidas. Ora está provado que os recém-encartados que
são vitimas de acidentes graves de viação, por vezes fatais, são em re-
sultado de ultrapassagens mal calculadas, porque não foram instruídos na
respectiva aprendizagem. O novo Código da Estrada embora suba ao par-
lamento para discussão e aprovação vai óbviamente ser aprovado pela
maioria parlamentar e de certeza que possíveis correcções que pudessem
ser sugeridas pela oposição nem sequer vão ser ponderadas. Vai pois ser
aprovado tal qual está o seu articulado, mas não acredito que o mesmo vá
contribuir para a dimuinção da sinistralidade rodoviária no Pais e tenho a
convicção de que este tipo de terrorismo vai continuar a registar-se inde-
pendentemente da ideia dos autores das alterações introduzidas de que na-
da melhor para demover os potenciais infractores às regras de transito de
que ficarem sujeitos ao pagamento de coimas pesadas.Cá estaremos para
ver o resultado.

Publicado por rajodoas às setembro 26, 2004 09:41 PM

Comentários

Até me arrepio toda! Lamentável...WB

Publicado por: whiteball às setembro 26, 2004 10:21 PM

A formação, a prevenção efectiva, estão contempladas nesse projecto?
Não! Então está visto, que apenas se pretende reprimir e captar “investimentos”, mesmo à custa da morte.

Publicado por: jgonçalves às setembro 26, 2004 10:53 PM

Apoiadíssimo!!!
Estou 100% de acordo. Não basta papaguear o Código da Estrada, deve mostrar-se como é que se vai cumprir. E o limite nos primeiros anos, como que "uma rodagem" para os novatos, era de retomar.

Publicado por: Emiéle às setembro 27, 2004 09:01 AM

A propósito de trânsito e novos códigos etc.etc. gostava de saber o que é que os sinais de sentido obrigatório (setinha na horizontal) estão a fazer na maior parte das rotundas em Portugal. Se colocam os de contorno obrigatório e ou de contorno de obstáculo, porquê os outros que no caso contrariam os primeiros.

Publicado por: Sapador florestal às setembro 27, 2004 10:00 AM

Sobre acidentes de estrada, amigo, eu tenho a minha história e...nada... ainda está muito fresco (vai estar sempre?!) Desculpa! Vinha agradecer o vídeo que só vi agora. Um abração!

Publicado por: seila às setembro 27, 2004 12:49 PM

Interessante a temática.
Mas irá ficar tudo igual. Iremos pagar os que conduzem com precaução, já que nós não fugimos à policia. Paramos ordeiramente e pq nos esquecemos por exemplo de um miserável papel, pagaremos.

As leis de pouco servem, se as mentalidades não mudarem.

Como está o meu amigo e o netinho?
Abraços.

P.S. A Direita acabou de ganhar mais um aliado com a eleição de Sócrates.

Publicado por: LetrasAoAcaso às setembro 27, 2004 05:26 PM

Já está tudo dito. Fica tudo na mesma...como a lesma!

Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: Zecatelhado às setembro 27, 2004 07:24 PM

O novo Código da Estrada pouco mais é do que uma cópia do código anterior com o valor de algumas coimas agravadas.

Se não houver uma fiscalização eficaz, tanto vale que as multas sejam caras ou baratas, porque para uma pessoa ser multada tem que ser encontrada em delito.

Uma estatística que eu ouvi há alguns meses: os condutores nos países da Europa central são fiscalizados, em média, uma vez em cada três anos. Em Portugal, os condutores são abordados pela BT uma vez em cada dez anos.

Publicado por: Jazzy às setembro 28, 2004 09:07 AM