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agosto 10, 2004

Afinal quem são os culpados da má prestação dos cuidados de saúde, serão os Ministros

Acabo de chegar da Venda do Pinheiro, onde fui visitar um primo que se
encontra numa das duas casas de repouso ali existentes. Fiquei estupe-
facto com a qualidade das instalações da limpeza e do serviço. Isto não
tem qualquer objectivo propagandístico apenas o reconhecer que tudo
o que se faz de raíz cumpre todas as normas de segurança e higiéne.
Mas passemos ao concreto. Quando lá chegamos já lá se encontrava jun-
to desse primo, a sua mulher e o seu filho a quem pedi que me contasse
o que se havia passado. No mês passado o seu pai deixara de andar e
não dizia coisa com coisa. Bem, assustados, chamaram a ambulância
que o levou ao Hospital de Santa Maria. Depois de penosas horas de es-
pera os médicos de serviço na urgência chegaram à conclusão de que
o mesmo não tinha nada e que deveria ir para casa. Assim o fizeram. Só
que a sua situação em casa começou a agravar-se e acabaram por cha-
mar um médico daqueles do antigamente que obrigatóriamente se espe-
cializavam em tudo e até tinha que fazer um disgnóstico sem ter os
meios que agora existem, o qual ao verificar o estado grave do doente,
recomendou aos familiares que se ele ali ficasse no dia a seguir não es-
taria vivo, tinham pois que seguir com ele para o Hospital. Face ao que
havia acontecido no dia anterior e a falta de interesse profissional reve-
lada pelos médicos em serviço no Santa Maria o filho chama a ambulân-
cia cujos bombeiros quase se negavam a levar o pai face ao estado em
que se encontrava. Decidiu em conjunto com a sua mãe transportarem-
no para o Cuf Descobertas que como sabem é um hospital particular.
Ali chegados fizeram o pré-pagamento da praxe e imediatamente come-
çou a ser observado. Os médicos de serviço a primeira medida que to-
maram foi a de suspender a medicação que havia sido receitada pelos
colegas do Santa Maria. E depois vai de realizar os exames necessários
para efectuarem o diagnóstico. Á medida em que os dias vão passando o
doente vai apresentado sinais evidentes de melhoras e é então quando
os familiares são informados da causa e aconselhados simultaneamente
a levarem o doente não para casa por falta de condições mas para uma
casa de repouso que possui-se médico privativo para fazer um acompa
nhamento do doente, tendo eles procedido em conformidade colocando-o
na referida casa de repouso. Hoje já foi possível fazerem com que ele ti-
vesse andado auxiliado óbviamente, num dos pátios do referido local.
Conversei com ele lembrou-se de mim e tem momentos de total e abso-
luta lucidez começando já a fazer as suas refeições normalmente e sem
ajuda.estando ansioso por voltar para casa, embora reconheça que está
bem instalado e quanto a isso não tive a mínima dúvida que sim. Numa
altura em que a ordem dos médicos continua a atribuir culpas exclusiva-
mente ao poder político é caso para perguntar e então os profissionais
de saúde não têm também a sua quota de culpa neste continuo descala-
bro em que se encontram a funcionar os nossos hospitais.

Publicado por rajodoas às agosto 10, 2004 07:46 PM

Comentários

Ser bom médico implica ter vocação.Actualmente o nosso ensino só quer notas ...e a maior parte dos médicos também.

Publicado por: fernando nogueira gonçalves às agosto 10, 2004 09:38 PM

Ser bom médico implica ter vocação.Actualmente o nosso ensino só quer notas ...e a maior parte dos médicos também.

Publicado por: fernando nogueira gonçalves às agosto 10, 2004 09:38 PM

Não pretendo parecer, nem ser masoquista, quanto à atribuição das culpas para os políticos, quase ilibando os clínicos.
Mas meu amigo. Aí onde o seu primo está a ser convenientemente tratado, é tudo pago “particularmente”.
Ora como se antevê, a culpa não é dos clínicos, mas dos políticos.
Os hospitais com SA ou sem ele, passaram a estar vocacionados para o “lucro” e não para o tratamento dos doentes.
É claro que os médicos até têm um código deontológico, mas também precisam de comer todos os dias e quere-me parecer, que a maioria dos que assistem nas urgências ainda nem sequer têm consultório próprio.

Publicado por: jgonçalves às agosto 10, 2004 10:11 PM

Caro José não me move nenhum sentimento contra a classe médica. Mas de há uns anos a esta parte e isto não sequer tem que ver com a política deste ministro que os cuidados de saúde prestados nos hospitais de sofrível que era está cada vez pior.
E isso não tem propriamente que ver com as políticas de saúde mas sim com os procedimentos e a falta de vocação dos respectivos clínicos. É certo que tudo o que está a acontecer a esse familiar tem custado muito dinheiro, mas se assim não fosse ele já cá não estava e como se costuma a dizer vão-se os anéis e que fiquem os dedos.

Publicado por: congeminações às agosto 10, 2004 10:53 PM

Pôrra pá! que história do caraças! Independentemente de tudo,esses pretensos médicos, que mais não devem ser senão carniceiros de salsicharia conspurcada, mereciam um bom par de estalos no focinho. Ao que esta espelunca chegou, valha-nos Alá!

Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: Zecatelhado às agosto 10, 2004 11:53 PM

O Raul e o JGonçalves têm a sua quota de razão. Em todo o lado há maus profissionais, os médicos não são excepção. O sistema em que assenta o actual SNS não favorece nada os doentes, antes pelo contrário.
Como dizia um medico meu conhecido há uns anos: quem quer saúde que a pague.
Assim quem não tiver massa para se tratar, vai-se desta para melhor - eles até agradecem, é menos um a chatear.

Publicado por: vmar às agosto 10, 2004 11:55 PM

O Poder não faz o suficiente. Faz muito menos do que seria suficiente.
Os médicos (alguns)encostam-se ao 'sistema' de uma forma escandalosa.
Escandalosamente os médicos melhor preparados abandonam os hospitais estatais e SA e vão para hospitais com bom ambiente de trabalho.
A selecção de médicos nos hospitais públicos é neste momento feita criminosamente ao contrário...

Subscrevo.

Um abraço e um desejo de melhoras ao seu familiar,
Francisco Nunes

Publicado por: Planície Heróica às agosto 11, 2004 12:57 AM

Amigo Raul, os médicos são uma classe, que se escuda muito bem entre si dispensando perfeitamente, quem os pretenda defender.
Os conhecimentos que tenho, da actividade destes senhores, em hospitais ou centros de saúde, colocam-me à vontade para reafirmar, que o que tem estado errado são as políticas e não os agentes que as põem em prática.
Os MÈDICOS, não alinharam nas alterações aplicadas, desde os tempos de Cavaco
e continuam a praticar medicina e a tratar doentes. Vê bem, a tratar doentes!
As políticas, afastaram esses médicos, impuseram quotas de rendimento, não compatíveis com os cuidados de saúde, limitaram a aplicação dos cuidados primários, ao estritamente necessário, prossegue-se uma politica de atendimento ocasional em detrimento da prevenção.
Nas chamadas urgências dos hospitais, impera uma “diversão” nocturna ou diurna
com “tarefeiros” praticando medicina.
Um pequeno exemplo, a especialidade de Pediatria, acabou nos centros de saúde
os nossos miúdos são vistos por um médico generalista (!!!), mas este mesmo médico, quando tem os filhos doentes, leva-os ao Pediatra, porque não os sabe diagnosticar.
Claro que há excepções, a sorte é apanhá-las.

Publicado por: jgonçalves às agosto 11, 2004 07:39 AM

As nossas opiniões no essencial não são muito divergentes e digo no essencial porque somos unânimes em reconhecer que o SNS está pôdre em Portugal. É um dos elefantes brancos absorve imenso dinheiro e não serve os utentes. É evidente que os bons profissionais duma maneira
geral já abandonaram o sector público da saúde e
estão nos privados onde até alguns são sócios. Vão sobrando nos hospitais publicos os aprendizes e em boa verdade as urgências são asseguradas pelos estagiários que nem sequer sabem emitir um diagnóstico mesmo com recurso interno aos exames. Já que este sistema não serve
então que nos proporcionem a possibilidade de recorrer aos hospitais privados, assumindo o Estado os respectivos custos, que é no fundo o que acontece por exemplo no Canada, onde tenho família os hospitais que existem são privados e
o governo garante a assistência médica e medicamentosa aos doentes através de acordos celebrados com os mesmos. Daí que nesse sector por lá as coisas funcionam muito melhor.

Publicado por: congeminações às agosto 11, 2004 10:56 AM