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agosto 04, 2004
A incógnita da liderança
Com os últimos desenvolvimentos conhecidos acerca da corrida à suces-
são de Ferro Rodrigues na liderança do PS parece podermos concluir que
neste momento reina uma tremenda confusão no seio do partido que não
lhe será nada benéfica em termos de opinião pública. Eu pessoalmente
acredito que os militantes do PS, sejam capazes através do seu voto se-
creto saber escolher entre as três candidaturas aquela que do ponto de
vista do eleitorado não militante mas que habitualmente vota no seu par-
tido, reune melhor perfil para o liderar, sobretudo pela necessidade de
acabarem de uma vez por todas com o facto desta força política ser equi-
parada ao PSD. Sobre essa matéria tenho trocado impressões com diver-
sas pessoas conhecidas e até amigos, uns são erradamente da opinião
que o PS deve continuar a manter-se na linha de governação ao centro
ou à direita. Óbviamente tenho contestado tal ponto de vista com base
no procedimento do eleitorado. Analisemos. A partir de que altura se co-
meçou a registar em Portugal uma significativa debandada dos eleitores
das mesas de voto, exactamente quando o PS ao derrotar nas legislativas
o PSD, continua a implementar medidas legislativas semelhantes às da an-
terior força política que havia perdido as eleições. As várias tentativas fra-
cassadas do eleitorado português na escolha do PS para governar este
País, fizeram com que muitos deixassem de acreditar que efectivamente
valia a pena insistir na votação neste partido. Um dos motivos da sua de-
silusão embora possa parecer uma opinião errada, reside exactamente aí,
muita gente deixou de estar disposta a votar num partido dito de esquer
da que afinal não tem sido mais que a continuidade da linha de governa-
ção do PSD. Ora se fosse isso que interessasse ao eleitorado o PSD esta-
ria sucessivamente a governar Portugal e a avaliar pela taxa de absten-
ção, seria sempre com maioria absoluta. Daí que o argumento que muita
gente usa de que governar à esquerda não seria uma opção desejada dos
protugueses é um enorme erro. Dizer-se ainda que os portugueses se de-
facto preferissem que a governação virasse à esquerda, possuem partidos
pelos quais poderiam optar, nada de mais errado, tendo em vista que es-
tes partilham de ideais extremistas que não se coadunam com o pensa-
mento lusitano
Publicado por rajodoas às agosto 4, 2004 10:56 AM
Comentários
Caro Congeminações, é pena que um partido de esquerda como o PS continue a duvidar da sua matriz, com militantes a defenderem uma postura de centro e outros com uma conduta marcadamente de esquerda.
O PS está a atravessar uma crise de identidade, sem saber qual o caminho que há-de seguir. Tenho para mim a ideia clara que o PS tem mais que ver com o PCP do que com o PSD, apesar de muitos dos seus militantes terem uma visão muito mais à direita em relação à sua matriz ideológica.
Os militantes do PS têm agora a oportunidade de definirem o que querem do partido: se uma corrente mais liberal e moderna ou se uma corrente mais estatizante e menos liberal...
Os socialistas que se entendam!
Publicado por: Peixoto às agosto 4, 2004 11:31 AM
As férias estão a acabar e as visitas a este espaço vão recomeçar.
Se não me enganar é certamente o que vai acontecer.
Um grande abraço,
Publicado por: vmar às agosto 4, 2004 08:02 PM
o que pensar do que o Sampas decidiu?
se calhar não se enganou mesmo!
como pode este partido deixar passar para o exterior tanta divisão?
ou se organizam ou...
Publicado por: hammer às agosto 4, 2004 09:47 PM
A forma como se está a disputar a liderança do PS só me deixa mais desiludido do que já ando. Estes tipos em vez de darem o exemplo com debates de ideias sérios andam à estalada, dando razão ao Sampaio e fazendo com que a coligação do governo se fique a rir. O Sr. João Soares é uma besta de primeira apanha, com aquele ar de rei na barriga e a lançar suspeições sobre o seu partido só faz é afastar o eleitorado.
Cada vez me convenço mais que quem teve razão foi o Vitorino em não se meter nesta confusão.
Publicado por: Dúvidas às agosto 4, 2004 10:47 PM
A sociedade Portuguesa, já não se divide em duas classes.
A classe operária, engrandeceu os seus objectivos, já não luta pelas “migas” mas pelo “carrinho”.
Na prática, abastardou-se.
Tenho para mim, que o PS tem vindo a seguir o caminho errado.
Bem sabemos, que as outras forças de esquerda, ainda não se emanciparam, logo a única esperança, será um PS mais socializante.
Até que ponto, estes candidatos a líder do PS, serão capazes, de mandarem às urtigas
quezílias pré fabricadas e enfrentarem a realidade e as necessidades do povo, é uma questão, que apenas o tempo, se encarregará de o provar.
Publicado por: jgonçalves às agosto 4, 2004 10:58 PM
Concordo com tudo, Raúl. Mas,...na sequencia de um outro post seu, continuo a afirmar que o Manuel Alegre, na minha opinião, não é a figura certa para apresentar o "novo" PS, ao eleitorado. A imagem de "poeta" e "homem de ideias", reduz drasticamente o seu potencial pragmático perante a opinião pública. Não podemos esquecer o tipo de "votantes" que temos...
Publicado por: Cotada às agosto 5, 2004 04:53 PM