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julho 13, 2004

Podemos ficar muito apreensivos com o quadro que se desenha


Embora ainda nada esteja devidamente definido quando ao elenco gover
nativo que Santana vai liderar, tudo leva a crer que Bagão Félix, não se
manterá no Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, o que não si-
gnificará que todo o pacote legislativo que o mesmo deixa em vigor não
traduza a maior violência alguma vez experimentada pelos trabalhos às
leis laborais. Mas não se ficando por aqui e tendo tido ainda a oportunida-
de concretizar uma ambição que já há muito vinha revelando, isto tudo
ao serviço dos interesses das seguradoras para quem sempre trabalhou,
conseguiu ainda criar situações alternativas ao Regime Geral de Seguran-
ça Social que já estão a dar os seus frutos. Como é sabido existem vários
quadros de profissionais por conta de outrem que auferem vencimentos
mensais muito altos, cujos descontos davam entrada na Segurança Social
garantindo assim uma boa provisão para suportar os fundos deficitários
que habitualmente a mesma registava. Não foi preciso grande esforço pa-
ra motivar esses quadros a passarem a descontarem a partir do valor fi-
xado como tecto para a Segurança Social, nos sistemas alternativos e is-
to porque entretanto o próprio titular da pasta foi dando entrevistas refe-
rindo que a situação deficitária do Instituto Público, poderia entrar num
dia numa fase de colapso e de repente os actuais trabalhadores que a
partir dos seus descontos, vão assegurando a receita dos fundos de pen-
sões deixariam de ter no futuro asseguradas as respectivas reservas pa
ra garantia das suas pensões de reforma. Claro que perante o anúncio
de uma tal possibilidade é óbvio que ninguém gosta de correr riscos e já
houve quem aderisse aos tais sistemas alternativos, que era no fundo o
que pretendia Bagão Félix que acontecesse. É evidente que a dispersão
da receita proveniente dos descontos dos trabalhadores por conta de ou-
trem, sobretudo os que têm melhor remuneração e que descontam bas-
tante, não tardará a provocar o colapso do fundo de pensões que tem
vindo ultimamente a ser consecutivamente injectado com verbas do OE.
Mas o titular da pasta não pode garantir a nenhum trabalhador que opte
por descontar parte do valor colocando numa qualquer seguradora que
daqui a dez, vinte ou trinta anos, pura e simplesmente deixe de existir
quem é que lhes vai garantir o pagamento das suas reformas. É que en-
quanto os descontos forem para o Estado, este tem sempre em qualquer
altura de assegurar os pagamentos das reformas aos aposentados por-
que não tem outra alternativa, mas essa garantia nenhuma Seguradora
ou Instituição Bancária lha dá e falências nesse sector também aconte-
cem e quem fica a arder são os depositantes, veja-se por exemplo o ca-
so do Banco açoreano que faliu sem tenha aparecido alguma alternativa
para ressarcir os depositantes.

Publicado por rajodoas às julho 13, 2004 07:40 PM

Comentários

ai ai, meu rico dinheirinho. volta ferro q estás perdoado

Publicado por: Golfinho às julho 14, 2004 04:10 AM

Tanto pessimismo que vai por aí...
Caro Congeminações, não se esqueça que Portugal está inserido na UE, onde a política que critica já é uma realidade por muitos países da UE. Aliás, as próprias directrizes da UE vão neste sentido, visto que o Estado não pode ir à falência à custa do pagamento de reformas chorudas.
Para tudo há um meio termo!

Publicado por: Peixoto às julho 14, 2004 12:46 PM