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junho 10, 2004

As duas faces da perigosidade da vida política


Escreve Vital Moreira que a vida política torna-se perigosa, para quem a
vive honestamente, com objectivo de servir a coisa pública. Isto a pro-
pósito do acontecimento que possívelmente causou a morte de Sousa
Franco. Para personalidades como esta é natural que sim, que exista es-
sa perigosidade face a um envolvimento muito forte no qual também se
empenhou a sua esposa, que estará óbviamente destroçada com o des-
gosto de ter perdido o seu marido nestas brutais circunstâncias. Mas in-
felizmente para nós anónimos cidadãos que vamos continuando a servir
de garante da eleição das forças políticas que nos representarão na con-
dução dos destinos da nossa Nação, vamo-nos apercebendo à medida
que o regime democrático instituído há trinta anos, vai amadurecendo,
que muitos políticos que integram as forças partidárias existentes no nos-
so País com assento parlamentar, estão nela não para ser o garante da
melhoria das condições de vida do eleitorado que os elege, mas sim pa-
ra resolverem os seus problemas pessoais e até mesmo familiares pois
como nos temos vindo a dar conta são vários os casos dos políticos que
mal assumem o poder tratam de colocar os seus familiares mais próxi-
mos em cargos bem remunerados. Compreensivelmente poderemos por
este tipo de atitudes, entender que grande parte do descrédito que se
tem vindo a instalar no eleitorado face ao procedimento indigno que vá-
rios representantes políticos vão assumindo, não é injustificado, antes
bem pelo contrário. Na minha modestíssima opinião, já é tempo de os li-
deres partidários de uma vez por todas porem termo a estas atitudes de
oportunismo militante que está instalado e que tende a aumentar mesmo
que para isso se tenham que se tornar inimigos de pseudo-amigos que
quando investidos em cargos públicos, passam imediatemente a ter ati-
tudes e procedimentos que não dignificam a classe política.

Publicado por rajodoas às junho 10, 2004 11:13 AM

Comentários

Poesia, meu caro. Poesia! Nem o sistema amadurece nem, infelizmente, há a esperar da política seja o que for. Nenhuma democracia se constroi contra o eleitor, como a nossa tem insistido em fazer. Ao contrário! Deve aproximar-se dele, deve apelar cada vez mais à sua participação. A política portuguesa foge do eleitor como o diabo da cruz, excepto no decurso dos actos eleitorais. Mas, uma vez garantido o voto, não hesitaria em apunhalar, um a um, cada eleitor. Todo o jogo está viciado, e não é a começar pela baralho. É pelas regras!

Publicado por: Placard às junho 10, 2004 02:05 PM

Mas quanto a isso estamos inteiramente de acordo. Por isso é que insisto na necessidade das direcções políticas dos partidos fazerem uma profunda reflexão para se expurgarem da militância oportunista e corrigirem toda a sua extratégia que tem lesado o eleitorado em favorecimento dessa mesma militância.

Publicado por: congeminações às junho 10, 2004 02:33 PM

Apenas dois pontos:
1.- Se se limpassem os partidos de todos os oportunistas que os preenchem ficariam reduzidos, na melhor das hipóteses, a 1/20 dos seus militantes.
2.- A prova de que as aproximações ao eleitorado são falsas é só esta: nunca vi um político a fazer compras (incluo mercados, lojecas, hipers,etc.).

Publicado por: Planície Heróica às junho 10, 2004 04:41 PM

Ah... é verdade. Já os vi em cervejarias e restaurantes... e não estavam em campanha!

Francisco Nunes

Publicado por: Planície Heróica às junho 10, 2004 04:43 PM

Mas caro Francisco se nunca se fizer esta purga jamais os partidos devolverão ao eleitorado a confiança necessária para os motivar. E isso independentemente das consequências nomeadamente a hipótese que põe de uma redução drástica da sua militância. Porque temos todos a noção que não são só os militantes partidários que promovem a ascensão dos partidos ao poder são essencialmente os não militantes que por razões de opção o proporcionam. Claro que os partidos têm que possuir uma base de militância, mas não me parece que seja salutar que ela assente no oportunismo político. Então será sempre preferível recorrer às personalidades independentes desde que elas possuam competência para o desempenho dos cargos políticos.

Publicado por: congeminações às junho 10, 2004 05:40 PM

Na política, os agentes políticos, os partidos, os militantes, os dirigentes, o povo em geral são tudo mulheres e homens feitos da mesma massa.
Para mim o que está verdadeiramente em causa, não são os nomes, os postos, os cargos
mas apenas a cultura.
Enquanto a politica disponibilizar mordomias sem nexo, enquanto os partidos políticos não assentarem numa cultura de serviço público, ao serviço dos cidadãos, existirão sempre oportunistas, prontos a cavalgarem às costas do próximo, para se auto promoverem.
O estudo aprofundado e colectivo das políticas de cada partido, a auto critica generalizada e não abastardada, poderá conduzir a uma nova geração de políticos
que ciosamente dirigidos, poderão enlevar os seus actos à primazia do dirigismo
ao serviço da comunidade e não a servirem-se desta.

Publicado por: jgonçalves às junho 10, 2004 09:28 PM

Há coisas que não mudarão nunca, Raúl.
A verdade, por muito feia, fria e crua que nos possa parecer, a nós "gente de bem", é que «em torno de cada cadáver, passeiam-se os abutres».

Publicado por: Cotada às junho 11, 2004 12:16 AM