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junho 17, 2004
A conveniente leitura dos resultados eleitorais
Na opinião dos representantes dos grupos parlamentares dos partidos
que integram a coligação governamental, a ilação que a esquerda es-
tá a tirar dos resultados eleitorais para o parlamento europeu além de
errada ofende os portugueses que votaram que souberam muito bem
para que as mesmas se destinavam. Pois sem dúvida que sim todas os
eleitores que votaram não tinham qualquer dúvida que o estavam a fa-
zer para os seus representantes partidários no parlamento europeu. E
exactamente por o saberem e não terem desejado que os partidos da
coligação os representem em mais coisa nenhum votaram maioritaria-
mente na esquerda. Não interpretar isto como uma atitude da parte do
eleitorado no inicio da sua penalização que vai se repercutir noutros
actos eleitorais é quererem enganar-se a si próprios. Pode porventura
passar pela cabeça de alguém neste panorâma de um quase desconten-
tamento popular, face à dimensão que atingiu, possa ser possível nos
nos próximos actos eleitorais ficar-se apenas por esta resposta que se
traduziu numa abstenção de quase 62% e uma votação maioritária na
esquerda, é evidente que não. E para mais anunciado que foi pelos lide-
res dos partidos coligados que vão apenas como resultado da mensagem
interpretada, fazer apenas alguns ajustes, nem sequer uma remodela-
ção ministerial que até no seio do próprio partido PSD já é reclamada,
convencerem-se de que conseguirão alterar o sentido do voto recente-
mente expresso, traduz um erro enorme na avaliação da realidade que
se vive neste País, o que os coloca em risco, face a uma menor absten-
ção que se registará nas eleições legislativas de 2006, de perderem
com uma margem ainda maior.
Publicado por rajodoas às junho 17, 2004 09:20 PM
Comentários
Não se trata de um erro de avaliação. Eles avaliam muito bem. Tão bem que sabem que só têm mais dois anos para fazerem o que querem. Eles não são burros, são maus. São de direita e estão ao serviço da Grande Direita. Esta é que é a questão.
Publicado por: João Norte às junho 17, 2004 10:10 PM
Eu penso que se trata apenas de tentativas inúteis de limpar a imagem desfocada.
Eles sabem que a coligação está ferida de morte, mas não a podem deixar cair, tão apegados estão ao facilitismo, ao elitismo ao oportunismo, ao banditismo.
Publicado por: jgonçalves às junho 17, 2004 11:02 PM
é Uma questão de não dar o"braço a torcer"...eu acho! Abraço, WB
Publicado por: whiteball às junho 17, 2004 11:49 PM
Quem está no poleiro tenta "virar o bico ao prego" aos resultados. Tarefa muito pouco digna, diga-se, em face dos resultados obtidos!
Publicado por: M. às junho 18, 2004 11:45 AM
Não se pode de facto embandeirar em arco. Nada é o que parece. Eu sou isuspeito pq não me revejo na Direita fascistóide que nos (des) governa.
Mas talvez seja necessário repensar estes nºs:
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Votos
João Carlos
Lopes in "Jornal Torrejano"
Depois das declarações de circunstância e das poses televisivas previamente estudadas, importa que o cidadão comum se fixe na verdadeira crueza dos números da noite de domingo.
A "histórica" e "estrondosa" vitória do PS consistiu na subida de uns míseros 18 mil votos, à escala nacional, face às últimas europeias. De resto, os socialistas desceram a sua votação na esmagadora maioria dos distritos face a 1999 e só subiram em quatro deles. Lisboa e Porto, sobretudo, puderam assim atenuar as perdas e dar ao PS a ilusão de "grande vitória".
O "bom resultado" da CDU foi, infelizmente para os comunistas, mais uma enorme derrocada. Face a 1999, a CDU perdeu 50 mil votos, desceu em todos os distritos, perdeu para o Bloco de Esquerda em importantes centros urbanos. A votação da CDU foi, em termos absolutos, o pior resultado dos comunistas desde que há eleições em Portugal.
A coligação PSD/PP perdeu, face à soma dos dois partidos em 1999, cerca de 230 mil votos. Estes números fazem pensar que a curta subida do PS em número de votos foi, antes de mais, uma punição de eleitores do PSD ao seu próprio partido.
Por fim o Bloco. É certo que subiu 100 mil votos face a 1999. Mas, se o BE esteve no limite da mobilização do seu eleitorado, tese plausível, o resultado de 167 mil votos não se afasta muito dos 150 mil das últimas legislativas. Seja como for, foi uma subida inegável e inequívoca, mas cujo resultado não adiantaria nada ao que os bloquistas já conquistaram nas últimas legislativas, em que a eleição por círculos anula as consequências de grande parte da sua votação.
Abraços
Publicado por: LetrasAoAcaso às junho 18, 2004 02:02 PM
Mas, será que a esquerda não consegue captar a mensagem que foi dada nestas eleições um pouco por toda a União Europeia: mais do que premiar os partidos da oposição (fossem de esquerda ou de direita), os europeus (com os portugueses incluídos) quiseram mostrar o seu descontentamento pelo rigor e aperto financeiros que os Governos dos principais países da UE tiveram que cumprir, por força da desfavorável conjuntura internacional.
Pensar que, caso as eleições fossem legislativas teriam o mesmo resultado é ser-se, no mínimo, ingénuo...
Publicado por: Peixoto às junho 18, 2004 05:03 PM
Ainda bem que Peixoto ainda é dos militantes do PSD que pensa que o seu partido continua bem cotado na bolsa do eleitorado. Mas atenção ao reverso em 2006 que pode muito bem causar-lhe uma enorme desilusão.
Publicado por: congeminações às junho 19, 2004 06:59 PM