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maio 15, 2004
Abstencionismo, opção errada de penalizar
Tenho vindo a ler quer nos jornais, revistas e nalguns blogs, artigos de
opinião em que existe quase uma unânimidade de pontos de vistas dos
respectivos articulistas quando referem que o aumento substancial de
abstencionistas nos diversos actos eleitorais que têm vindo a decorrer
traduzem a opção desse mesmo eleitorado em penalizar o universo dos
partidos que constituem o nosso quadro parlamentar. A ser verdade tal
justificação, parece-me que estão esses mesmos abstencionistas a co-
meter um enorme erro, porquanto estão a colocar nas mãos daqueles
que não abdicam do seu direito de votarem e que não tendo outra alter-
nativa, tentam no actual quadro político, efectuar a sua escolha. Ficam
pois os que se abtêem de votar dependentes dos critérios de escolha dos
que votam. Ora por isso não me parece assistir-lhes qualquer direito de
constestarem seja o que for pois nada fizeram para tentar melhorar as
coisas. Porque não é possível no actual quadro político. Pois bem então
que se constituam novas forças políticas formadas por personalidades
em quem esses mesmo abstencionistas depositem as suas esperanças
para melhorar o actual quadro político, porque de contrário não só não
contribuem para alterarem o rumo do País, como são responsabilizados
pelas escolhas que aqueles que votam acabar por fazer.
Publicado por rajodoas às maio 15, 2004 12:23 PM
Comentários
O Raul, ainda que sem querer, recordou-me que não posso tardar em ir tratar rapidamente do meu cartão de "eleitora"...tenho tido preguiça, sabe... prometo-lhe aqui que de Segunda não passa! Era lá eu capaz de deixar a minha opção na mao de mais papalvos?!!
Publicado por: CotadaEmBolsa às maio 15, 2004 02:32 PM
É realmente preocupante esta temática.
No entanto não concordo com a tua análise.
Penso que o abstencionismo está ligado essencialmente ao desencanto e ao descrédito provocado precisamente pelo actual espectro político.
Não deixas de ter razão quando afirmas que a abstenção é co-responsável nos resultados obtidos mas quem se abstém (cada vez mais) talvez ache que dessa forma esteja a pressionar as actuais forças políticas no sentido da mudança que se exige.
Eu ainda voto, por enquanto, mas já me vi forçado a direcionar o meu voto no sentido útil ao invés da convicção política, o que é triste.
Publicado por: O Vizinho às maio 15, 2004 05:11 PM
Caro Vizinho afinal a opinião não é assim tão divergente, é que eu também voto contra ou seja, já tenho votado em determinado partido por questões de estratégia, embora não me identifique com ele. Todavia insisto que quem opta por se abster não força o actual quadro político em mudar a sua maneira de estar na política.
Publicado por: congeminações às maio 15, 2004 05:38 PM
Não é correcto justificar o abstencionismo seja com o que for. Poderão existir mil e uma razões ou tantas quantas os abstencionistas. Em tempos abordei este assunto, porque acho que contrariamente ao voto em branco é ma muito curto prazo perigoso para a democracia.
Contudo, apesar das inúmeras razões que se poderão invocar, há uma que me parece directa, ou seja, óbvia - os candidatos não sensibilizaram quem votou. Ora é perante esta constatação que me parece pertinente, urgente e capital rever o sistema de representação, alargá-lo, retirá-lo da oligarquia dos aparelhos partidários que hoje apenas parecem servir clientelas cada vez mais pobres.
Publicado por: carlos a.a. às maio 15, 2004 07:17 PM
O fantasma da abstenção, que neste tipo de eleições significa a maioria dos Portugueses. Estará já de malas aviadas, para mais um fim-de-semana, que se espera cheio de Sol.
O discurso dos partidos, que representam uma coligação, que deixará de o ser na noite das eleições, é já derrotista face ao abstencionismo.
Resta aguardar pelos outros, para se constatar, da sua capacidade de mobilização e de reconstrução do eleitorado.
Mas fica sempre a força, de utilizar o voto contra o comodismo de alguns ainda que o subtraiamos à nossa própria vontade.
Publicado por: jgonçalves às maio 15, 2004 11:17 PM