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abril 25, 2004
Transcrição de um texto relativo à publicação de um livro sobre o 25 de Abril
Curiosa sina, a do velho Portugal. Desbravou mares nunca dantes navega-
dos, como escrevera seu poeta maior, trilhou caminhos outrora desconhe-
cidos e se fez o primeiro grande império da época moderna. Passados sé-
culos de uma história repleta de avanços e recuos - como toda a História,
aliás - o destino parece lhe ter reservado uma nova surpresa: foi Portugal,
e não outra nação européia, a colher as últimas flores da utopia revolucio-
nária que habitou as mentes e os corações de homens e mulheres que vive-
ram sob o signo de duas grandes revoluções contemporâneas: a Francesa,
de 1789 e a Russa, de 1917. Em 25 de abril de 1974, há exatos 30 anos, os
portugueses celebravam o fim de uma longa ditadura. Inscrevia-se, em sua
história, mais um belo episódio: a Revolução dos Cravos.
O leitor ávido em pormenores, encontrará neste livro de Lincoln Secco uma
excelente fonte de nomes, datas, lugares e referências atinentes ao golpe
revolucionário dos capitães do Movimento das Forças Armadas no 25 de
Abril. A narrativa é fiel à velha tradição histórica, na qual os personagens
têm lugar privilegiado no desenvolvimento da ação. Além disso, o autor
nos brinda com belas descrições geográficas. Homem e natureza aparecem
em perfeita comunhão nessa história.
Mas alto lá, diria o autor. O exercício da História vai muito além. E a crítica
histórica há muito vem nos ensinando que ao tempo das flores, sucedem
temerosos invernos e verões infernais. Os capítulos que compõem este li-
vro são assim: oscilam entre o sentimento de uma esperança confortadora
e uma lancinante tristeza. Tristeza que nasce da constatação, da difícil
constatação de que todos os ideais postos em cena durante a vaga revo-
lucionária estão profundamente atrelados às velhas estruturas da sociedade
portuguesa. Quais as possibilidades de uma revolução plena, que toca os
costumes das gentes, diante de um quadro em que predominam a vida ru-
ral, hábitos e crenças arraigados em valores tradicionais, o analfabetismo e
os evidentes abismos regionais. Aquém de Lisboa, um outro Portugal. E se
mudam os tempos e com eles as vontades, não há nada mais temeroso e
paradoxalmente confortante para o historiador do que as permanências de
longa duração. Neste ponto, afirma Lincoln Secco, "voltamos ao problema
nuclear dessa história. Talvez de toda história, como diria Braudel.
É possível mudar a sociedade pela vontade política
Achei muito interessante este texto sobre uma obra publicada pelo
autor anteriormente indicado e transcrevi-o.
Publicado por rajodoas às abril 25, 2004 10:23 PM
Comentários
Há trinta anos, haveria de jogar-se os destinos de Portugal, nas ruas das suas cidades,vilas e aldeias.
O frutos, dessa inimaginável Revolução, haveriam de alterar o rumo da história, da velha europa e por arrasto, de algumas partes da América do Sul.
E isto é lindo.
Publicado por: jgonçalves às abril 25, 2004 10:33 PM