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abril 13, 2004

O fruto do cruzamento de dados


Hoje encontrei uma idosa de nome Helena que vive em Caparide que
estava indignadíssima. É claro que tenho sempre muita dificuldade em
dialogar com a mesma dado o seu estado de surdez que ainda fica
mais afectado quando se enerva. Como lhe seria difícil explicar-me o
que lhe estava a provocar a sua indignação mostrou-me papéis. Em
que consistiam. Era um documento da Segurança Social que anexava
uma fotocópia de outro oriundo da Direcção de Finanças de Lisboa don-
de constava, além do seu nome completo o seu número de contribuinte
os rendimentos anuais declarados que óbviamente eram os da sua apo-
sentação que são cento e tal euros mensais e em nota manuscrita no
impresso o seguinte "À presente data, no interno informático um pré-
dio com o valor patrimonial de 288,74 € refª...... da freguesia de São
Domingos de Rana". Ora querem os Serviços da Segurança Social que
a idosa declare os rendimentos deste dito prédio para efeitos de actua-
lização dos rendimentos da mesma. Tal como a mesma o refere, vive
numa capoeira, exagero seu, num anexo que nem sequer WC possue
e as Finanças consideram-no como um prédio que efectivamente é, só
que para além da idosa não cabe lá mais ninguém, logo ela não usufrui
do mesmo qualquer rendimento porque é a única pessoa que o habita.
Claro que já alguém se disponibilizou para fotografar o dito prédio por
forma a tentar provar o equívoco gerado. Não deixa no entanto de ser
curiosa esta forma como já estão a resultar o anunciado cruzamento
de dados pelo actual executivo, os primeiros a serem apanhados são os
pobres, sim porque esta gente faz questão de ter tudo legal mesmo que
seja um modesto anexo convertido em habitação. Será que em relação
aos palacetes, apartamentos de luxo e quejandos já se estará a verifi-
car o mesmo controle por parte do fisco? Desejaria muito que sim. É
que esta idosa para além da miserável pensão de reforma que recebe
complementa o rendimento recolhendo dos contentores algo que conte-
nha cobre, para ir ganhando mais algum, uma vez ter quem lhe fique
com o mesmo.

Publicado por rajodoas às abril 13, 2004 07:15 PM

Comentários

É sempre a mesma m***a! As poucas boas ideias que aparecem na administração pública são logo utilizadas para tramar o mexilhão.
Porque é que não fazem, por exemplo, o mesmo aos industriais que recebem o ordenado mínimo e andam em carros de luxo?

Publicado por: Jazzy às abril 13, 2004 07:39 PM

Como já tenho dito e repetido inúmeras vezes, neste país não se dá descanso aos "tesos" e da-se rédea solta aos ricos.

Publicado por: vmar às abril 13, 2004 11:08 PM