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abril 13, 2004
Habitação mais cara do planeta
Temos habitualmente complexos por sermos o País com maior indice
de analfabetos, por termos o menor nível de vida comparativamente
com outros paises europeus e não só, em suma por sermos os lanter-
nas vermelhas de tudo quanto menos interessa a um povo. Todavia
em relação à habitação somos o povo que disfruta da habitação mais
cara do Mundo. Nisso se podem orgulhar os especuladores imobiliários
deste País porque efectivamente temos as casa mais caras de todo o
planeta. Vou falar do meu caso pessoal para demonstrar a realidade.
Vivo num T2 que custou ao primeiro comprador em 1974, a quantia de
420 contos, ou seja convertidos 2.100 Euros. Em 1987, adquiri-o por
4.650 contos ou seja, 23.194,10 Euros. Isto é, num espaço de 13
anos a construção inflaccionou-se 4,98% por ano ou seja 64,84%,
nesse período. Hoje se tencionasse vender o referido apartamento fa-
ce aos preços que se praticam em usados venderia entre os 114 a 115
mil euros. Isto é, em 17 anos o custo da habitação inflaccionou-se
85%. Mas isto em relação à opção de usado porque se esta mesma
fracção fosse adquirida num prédio novo então a percentagem subia
incrivelmente para 124,91% face aos valores actualmente praticados.
Estamos perante uma realidade que nenhum governo se atreve por
mão à especulação imobiliária. Os construtores tentam defender-se
dizendo que a culpa é dos donos dos terrenos. Tenho conhecimento
pessoal que efectivamente há muito de verdade aqui. Existem por aí
várias pessoas que investiram na compra de lotes de terreno que só
vivem à custa disso, não fazem mais nada. Conheço um constructor
civil que operava no linha de Sintra que cometeu o erro de comprar
um terreno e fê-lo em São João do Estoril, no qual só poderia cons-
truir um prédio de 3 andares com 4 apartamentos por piso respecti-
vamente um T1, um T2 e um T3, o custo do terreno foi há 12 anos e
por € 1.200.000,00 quando acabou o prédio estabeleceu o preço de
venda e colocou-o em várias agências. Durante quase dois anos não
conseguiu vender um único apartamento. Desceu substancialmente
os preços, pois já estava a perder imenso dinheiro com o juros ban-
cários, vendeu o prédio todo e perdeu dinheiro. Hoje em dia continua
a verificar-se o mesmo fenómeno, os vendedores dos terrenos conse-
guem fazer com que o custo do lotes seja superior ao custo final da
construção. Algo de errado se passa neste País com a chamada políti-
ca dos solos. E quem suporta tudo isto. Quem quer viver mais ou me-
nos condignamente e fica refém de um qualquer banco onde recorre
para obter um crédito à habitação e do qual não se liberta dezenas de
anos. Quando terminar o pagamento dos 17.500 € que pedi à CGD
terei pago ao fim de 25 anos cêrca de 59.900 Euros. Que grande negó-
cio este que se instituiu para a banca. Só para terminar e comprovar o
anteriormente referido, um cunhado que se encontra imigrado no Ca-
nadá, vendeu há 4 anos um T3 na Damaia, cuja metade do valor lhe
permitia comprar uma moradia em Toronto.
Publicado por rajodoas às abril 13, 2004 09:35 PM
Comentários
Não sei quem ganha mais com o mercado habitacional, mas entre proprietários de terrenos, construtores, empreiteiros e agencias imobiliárias, há muita gente a ganhar rios de dinheiro ( não esquecendo que muita desta massa passa ao lado do fisco).
Publicado por: vmar às abril 13, 2004 11:05 PM
Sem pretender insinuar, qualquer tipo de gozo com esta situação, que podem crer, acho das mais disparatadas na Europa.
Sinto que afinal, a única parva no meio desta selva, é a D. Manuela que, acaba sempre por vender, a perder dinheiro.
Publicado por: jgonçalves às abril 14, 2004 11:01 PM