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abril 23, 2004
Cada vez menos se cumpre Abril
Vamos tendo a consciência e a ideia cada vez mais reforçada de que os
objectivos de Abril, estão cada vez mais longe de se cumprirem. E não
precisamos de recuar muito no tempo. Os então capitalistas do anterior
governo que se haviam pirado para o estrangeiro, regressaram todos e
além de tomarem posse do que era seu, cresceram muito mais e estão
muito mais ricos. Entretanto mal tomaram posse das suas empresas,
quase de seguida se desfizeram delas vendendo-as a outros grupos eco-
nómicos que têm vindo a reduzir drásticamente os seus efectivos de pes-
soal. Isto para não falar as empresas de Metalo-Mecânica e de Constru-
ção Naval que tendem pura e simplesmente a desaparecerem. Não só
não se regista o alargamento da actividade industrial como o comercial
também ele vai sendo absorvido pela opção política de permissão da
construção dos grandes Centros Comerciais. As políticas que têm sido
conduzidas pelo principal partido do poder têm objectivamente sido de
proteccionismo do grande capital e em sua consequência cada vez mais
se vai desvirtualizando o espírito de Abril que moveu os capitães seus
promotores. O PS, infelizmente para todos quantos nele têm apostado
tem frutrado as expectativas criadas em redor da sua ideologia, porque
comete o erro cada vez que é governo, conduzir as suas políticas de
forma quase comparável ao PSD, daí a razão porque cada vez há mais
eleitores desencantados e a afirmarem não encontrarem diferenças nas
linhas de governação, entre estes dois partidos. Como sabemos e pelas
razões mais que demonstradas da incapacidade governativa do actual
executivo, grande parte do eleitorado não deseja ver a sua continuidade
a seguir às proximas eleições legislativas e tem-no manifestado através
das sondagens últimamente realizadas. Claro que como não é previsivel
a alteração da pipolarização do poder em Portugal, óbviamente que a
força que substituirá a actual coligação no poder será o PS. A dúvida es-
tá se com maioria absoluta, isolado ou coligado com outra força política
para que se começasse a cumprir Abril que o PS, deixasse de uma vez
por todas a tendência de governar ao centro mais para a direita e acabas
se com estes equívocos que vai criando no eleitorado que não consegue
encontrar diferenças ideológicas entre os dois partidos o que acaba por
frustrar as expectativas daqueles que ainda continuam a acreditar no seu
projecto.
Publicado por rajodoas às abril 23, 2004 07:28 PM
Comentários
Concordo com as tuas críticas. E também no toca ao PS.
Todavia vou tentar acrescentar algo. Sempre me intrroguei do porquê da Esquerda portuguesa não ser solidária entre si. Melhor dizendo: sempre que o Ps esteve no governo foi com "negociações" à direita que conseguiu aprovação dos OGE. Penso que algumas vezes em que a esquerda retirou apoio ao PS tinha consciência de que o poder ia cair nas mãos da direita. Para mim isto é uma falta de visão política.
Lembra-me um trabalho que fiz quando estudante na Faculdade sobre os conflitos na Esquerda Espanhola antes da guerra civil. nunca se entenderam e deu o que deu.
Publicado por: João Norte às abril 23, 2004 09:28 PM
Os complexos da esquerda, tardam em ser banidos. Daí a situação acabar por baralhar os povos e promover a direita.
Como li algures: “ O escândalo da Inquisição, não faz os cristãos abandonarem os valores e as propostas do evangelho. Do mesmo modo o fracasso do socialismo no Leste Europeu não deve induzir ao abandono do socialismo no horizonte da história humana".
Publicado por: jgonçalves às abril 23, 2004 10:29 PM
Cá para mim tens toda a razão.
Acrescento:
No poder vemos o pior da direita democrática (o populismo) e o pior da esquerda (o porreirismo).
Um abraço,
Francisco Nunes
Publicado por: Planície Heróica às abril 24, 2004 11:45 PM