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abril 29, 2004

Antigamente dizia-se de pequenino se torce pepino


Antigamente era usual dizer-se quando uma criança manifestasse atitu-
des menos correctas, que de pequenino se torce o pepino, ou seja uns
açoites a certas exigências aplicados às criancinhas, tinham sempre um
resultado positivo na redução do grau de exigência que então era feita.
Isto vem a propósito da abordagem na imprensa escrita já algum tempo
das preocupações de certos estudantes. Consiste isso na opção que os
jovens fazem na utilização de roupas de marca, sapatos de marca, tele-
móveis top de gama, leitores portáteis de CDs, em suma vários tipos de
acessórios e adereços, isto com o objectivo de se afirmaram junto dos
seus colegas ou amigos, numa total demonstração de vaidade. Ao nível
da escola ao que se afirma existe até uma certa competição entre os
grupos que se formam com vista a tentarem demarcar-se quanto à qua-
lidade dos artigos usados por forma a elevarem o seu estatuto. É eviden-
te que não possuindo os jovens recursos financeiros para satisfazerem
estes caprichos é óbvio que serão os pais a alimentarem-nos. Estamos
certos que haverá os que terão possibilidades económicas para o pode-
rem fazer mas haverá outros que não, mas que continuam a satisfaze-
rem a vontade de seus filhos, adquirindo-lhes os artigos. Se é certo que
isto é um problema que diz exclusivamente respeito a quem subscreve
este tipo de exigências, não é menos certo que não é por essa via que
os pais dos jovens que lhes satisfazem estes caprichos conseguem deles
um melhor aproveitamento escolar, antes pelo contrário. Isto permite-
-nos concluir que os portugueses que já se tornam vaidosos na sua ma-
ioria, pelos títulos académicos que detêm, ao exibi-los em qualquer mo-
mento ou circunstância, estão a transformar os seus filhos, alguns até de
tenra idade nuns vaidosos, exibicionistas.

Publicado por rajodoas às abril 29, 2004 07:46 PM

Comentários

Isso é o início da demarcação de identidades.
Para quê aturar um filho “chato”, se uns euros tomam o lugar paterno?

Publicado por: jgonçalves às abril 29, 2004 09:45 PM

Isto é mais uma das facetas da globalização da sociedade de consumo. Muitos jovens "certinhos" são bombardeados constantemente por uma sociedade consumista e ainda que involuntariamente algo acaba por ficar a nível do subconsciente. Numa sociedade vaidosa por determinados tipo de valores não é difícil seduzir os mais jovens.
Problemas graves levantam-se nas sociedade economicamente débeis como a nossa, em que o poder de compra da maioria da população é diminuto.
Para grande problemas, grandes remédios: quem não tem dinheiro não tem vícios.
O problema reside em explicar isto a um jovem....quando sabemos que os adultos também não o entendem....

Publicado por: vmar às abril 29, 2004 10:53 PM

Arriscamo-nos a criar uma geração de 'revoltados', fiel a direitos e esquiva a deveres...

É perigoso... para ela!

um abraço,
Francisco Nunes

Publicado por: Planície Heróica às abril 30, 2004 12:30 AM

Tenho uma filha com 6 anos e este é um dos aspectos que mais me preocupa na sua educação.
A título de exemplo, aqui (http://jazzy.weblog.com.pt/arquivo/2004/04/index.html#087842) discorro sobre a posse por crianças de telemóvel.

PS: Era mais prático permitir html nos comentários. Dessa forma, o link para o artigo aparecia como nos artigos.

Publicado por: Jazzy às abril 30, 2004 10:14 AM

noutro dia vi um tipo do BE com uma camisa burberrys (?). foda-se. e eu é que sou a burguesa consumista.e uma tipa boazona até já fez uma operação às mamas só pa dar um jeitinho. sim, ke as mamas originais já eram podres de boas. tás a topar a coisa?

Publicado por: Cândida às abril 30, 2004 03:54 PM