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março 26, 2004
O veredicto da controvérsia
Como é sabido o juiz de instrução do processo de averiguação da que-
da da ponte de Entre-os-Rios, acabou por produzir um despacho que
ninguém estaria à espera que acontesse, ilibando assim, para já todos
os possíveis culpados desse trágico acidente que vitimou tanta gente.
A revolta está bem patente nos familiares das vítimas e como outra
coisa não seria de esperar recorreram dessa decisão. O PGR disse ho-
je perante as câmaras de televisão que à instrução do processo foram
facultados todos os meios, inclusivé alguns que não estariam previstos
conceder, numa manifesta alusão de que também não estaria de acor-
do com tal decisão. Nós já estamos habituados a este tipo de decisões
e temos vários exemplos para o demonstrar mas também não vale a
pena. Duma coisa estamos certos a única vítima, para além das que
perderam a vida, que a queda da ponte provocou, foi o ministro Jorge
Coelho. É evidente que todos temos a consciência que existem entida-
des oficiais que deveriam ser responsabilizados moralmente inclusivé
o próprio presidente da Câmara. Agora que parece ser despropositado
querer culpar os areeiros é no mínimo rídiculo. Se eles estavam licen-
ciados em termos de exploração não têm que ser culpados por extrac-
ção excessiva de areia, quem o deve ser são as entidades oficiais a
quem cabe o obrigação de exercer sobre elas a respectiva fiscalização.
Se ela não foi realizada há que os responsabilizar. De resto uma ponte
daquelas centenária com um registo de tráfego bastante significativo ti-
nha óbviamente de ser submetida a obras de beneficiação para elimi-
nar qualquer desgaste das "sapatas" motivado pelas cheias que então
haviam ocorrido. A culpa tanto neste como em processos análogos não
tem que morrer solteira pela dignidade que merece a memória dos que
ali pereceram.
Publicado por rajodoas às março 26, 2004 11:51 PM
Comentários
Isto é que é um país porreiro!
Viva Portugal!
Um abraço,
Francisco Nunes
Publicado por: Planície Heróica às março 27, 2004 01:43 AM
Não façamos com que a decisão de um juíz de instrução dê cabo do edifício judicial. Temos de ter confiança na Justiça portuguesa. O Tribunal da Relação dirá de sua justiça.
Publicado por: Peixoto às março 27, 2004 09:42 AM
A meu ver o estado foi o grande culpado, que em 1987 colocou o projecto de alargamento ou de uma ponte nova na gaveta, isto depois de ter sido alertado para a falta de segurança da ponte, pelos autores do projecto, "ficava muito caro" Pouco tempo depois da tragédia a ponte velha foi recuperada e fizeram uma nova. Compreendo a raiva dos familiares em virtude do desfecho do processo mas o estado é que se devia ter sentado no banco dos réus.
Publicado por: Diaba Ólica às março 27, 2004 11:55 AM