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março 20, 2004
Estúpida realidade
Ontem comemorou-se mais um dia do "Pai" e isso obrigou-me a uma
reflexão sobre o que a esta figura representa no contexto da minha
família. Começando por falar de mim, o meu pai representou o meu
modelo como exemplo da vida que tenho levado quer familiar, quer
profissional, quer social. Infelizmente já não o tenho e sem que sejam
necessárias estas efemérides lembrou-me muitas vezes dele com uma
enorme saudade. Saudade de quem em vida não experimentou tal sen-
timento. Porque quando apostamos em constituir a nossa própria famí-
lia, normalmente a nossa mulher começa logo por não se entender com
a nossa mãe. Há, mas nem sempre assim é. Pois mas as excepções só
servem para confirmar a regra. Isto porque, o mesmo homem, passa a
ser disputado pela nossa mãe que interpreta a nora como lhe tendo tira-
do o filho e pela nossa mulher que vê na sogra uma concorrente de uma
afectividade absolutamente diferente mas que elas confundem.A partir
daí surge o afastamento gradual sem que nós homens nos apercebamos.
A minha sogra em contrapartida quase me adorava. Era, como para a ir-
ritar, lhe chamava "tia Lucrécia". Quando se conflitualizava com a filha a
minha postura era normalmente a da sua defesa, promovendo até a re-
conciliação que por vezes as acaloradas discussões originavam. Aos
olhos das suas duas noras, como eu era o seu genro preferido, elas não
tinham disposição para a ter nas suas casas, o que para mim não cons-
tituíu nunca qualquer tipo de problema. Hoje com os filhos com as suas
próprias vidas, sinto que afinal isto acontece quase por regra, este afas-
tamento progressivo do convívio com os pais mesmo nos dias das efe-
mérides. E não me venham dizer que culpa é do nossos filhos que se
deixam influenciar pelas suas mulheres, quando connosco sem que nos
tenhamos apercebido tal aconteceu. Só damos conta desta estúpida rea-
lidade quando passamos da situação de filhos, a pais, sentindo uma for-
te nostálgia dos tempos em que eles eram crianças e que traziam do
infantário aqueles rabiscos feitos com a ajuda da educadora de infân-
cia e com uma inscrição alusiva à data e que eu guardo religiosamen-
te para um dia mostrá-los aos meus netos.
Publicado por rajodoas às março 20, 2004 11:21 AM
Comentários
Tenho do meu pai uma recordação maravilhosa.Pena que o destino mo tirou,tinha eu apenas 14 anos...
Publicado por: valeria às março 20, 2004 02:26 PM
Eu cá, já sabes, não comemoro datas. Tento comemorar todos os dias os valores, as pessoas e as coisas que faço questão de preservar.
Um abração do
Zecatelhado
Publicado por: Zecatelhado às março 20, 2004 08:03 PM
Não devia haver datas para comemorar. As "comemorações" deviam ser diárias.
Publicado por: vmar às março 21, 2004 12:01 AM