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fevereiro 15, 2004

A negação do desempenho

Por vezes nem sempre, a opção de uma determinada carreira profis-
sional, se traduz numa escolha acertada, quer para quem a faz, quer
para os destinatários do desempenho dessas funções. Podemos enun-
ciar por exemplo um docente que, quando concluiu a sua licenciatura,
ao não encontrar saída em termos profissionais, acabou por optar pe-
lo ensino, tendo absoluta consciência de que não possue a mínima vo-
cação para o seu exercício, mas ao garantir a sua fonte de rendimento
está há partida a prejudicar todas as turmas que lecciona visto resul-
tar para a maioria dos seus alunos um menor aproveitamento escolar
dado que o professor por falta de vocação para o exercício não se
empenha. Outra classe profissional que enferma do mesmo mal e com
graves repercussões nos utentes, são os médicos. Quem não experi-
mentou ao longo da sua vida constatar perante o recurso a uma con-
sulta face a um problema de saúde estar na presença de um clínico
cujo objectivo não é outro senão o de o despachar, com a consciên-
cia de que, o seu diagnóstico é duvidoso e não tem qualquer certeza
que a medicação que prescreveu vai resultar no tratamento do doen-
te. Quantas vezes não se ouvem jovens em lugares públicos proferi-
rem estar a trabalhar em termos académicos para entrarem em me-
dicina por ser a carreira que melhor resultado financeiro produz.
Quantos utentes do SNS não têm saído prejudicados pelo mau desem-
penho profissional da classe médica. Para não alongar terminamos
com aqueles optam por abraçar a carreira política. Já todos nós nos
apercebemos ao longo destes 30 anos de democracia, que a nossa
classe política activa é também constituída por indivíduos, alguns dos
quais revelam uma total negação no desempenho do seu papel.
Embora se mantenham por vezes no exercício de cargos públicos
qualquer cidadão se apercebe que esse facto não se deve há sua
vocação mas sim à satisfação de interesses pessoais e da força po-
lítica que representa. Claro que quem saí daí prejudicado são os elei-
tores ao votarem naquela força política não estão necessáriamente
a escolher as personalidades cujo conhecimento lhes permite ava-
liar a sua capacidade no desempenho do cargo. Quem tal determina
é a escolha feita pelo chefe do partido, que de uma maneira geral
não põe como prioridade os interesses colectivos mas sim os pes-
soais e partidários. É por esse tipo de procedimentos que o eleitora-
do português se tem manifestado descrente nos políticos que de uma
vez por todas se deveriam dispôr a mudar as suas mentalidades e
expurgar-se daqueles militantes que são uma verdadeira negação no
desempenho dos cargos a que são chamados.

Publicado por rajodoas às fevereiro 15, 2004 11:51 AM

Comentários

Ah pois é!

Publicado por: Nuno às fevereiro 15, 2004 02:51 PM

Não creio que seja desculpa para o aumento da abstenção. Não aceito que toda a população se una em protestos e greves, para depois, na altura do escrutínio, ficarem em casa ou irem passear "porque está um bonito dia de Sol!"

Publicado por: Gato Gaspar às fevereiro 15, 2004 04:33 PM

O exemplo acabado, dessas afirmações será o PSL.

Publicado por: j.gonçalves às fevereiro 15, 2004 10:08 PM

...e por isto tudo não se olha a meios para atingir os objectivos....e com a complicidade dos eleitores....a país continua na merda.

Publicado por: vmar às fevereiro 15, 2004 11:04 PM