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janeiro 29, 2004
Está visto que assim não saímos disto
Que pensar destas declarações prestadas por um tido como ilustre eco-
nomista do PSD, sobre o desperdício do investimento na Expo 98, uma
das zonas mais degradadas de Lisboa que hoje é um dos locais mais
atractivos para muitas centenas de pessoas. Será que a administra-
ção do Parque Expo face ao crescimento urbano daquela zona não es-
tará já a contabilizar lucros? Ainda que não o programa de revitalização
só se esgota em 2007. O Euro 2004 até agora só compreendeu investi-
mento vultuoso, isso é um facto. Como também se exagerou no núme-
ro de estádios a envolver na realização do evento. Mas neste momento
apenas e só, existe a expectativa. Nada se sabe nem tão pouco é possí-
vel fazer previsões do que esta realização representará para Portugal
em termos de resultados. Aliás estes, a verificar-se uma grande afluên-
cia de cidadãos europeus e não só, vai-se refletir directamente na indus-
tria hoteleira e de restauração e no encaixe de bilheteira para os clubes.
Vai ser essencialmente nos sectores que referenciamos, pois não esta-
mos a ver que tenha alguma expressão a aquisição dos chamados "sou-
venires" por parte dos visitantes. Ou seja não se poderá pensar que a
realização do "Euro 2004", vai representar para Portugal e para seu go-
verno a solução dos seus problemas, longe disso. Mas a avaliar pelas de-
clarações de Miguel Cadilhe, corroboradas eventualmente por outros di-
tos especialistas em economia, Portugal não se deve lançar na realiza-
ção de eventos internacionais porque não possui estrutura financeira pa-
ra tal, pelo que isto serve de recado ao Comité Olímpico Português que
jamais lhes deve passar pela mente a ideia de proporem este País para
a realização de "Jogos Olímpicos", nos próximos anos. Com especialistas
destes estamos irremediávelmente condenados a não passar a cêpa tor-
ta, ou seja, sempre candidatos a uma posição terceiro mundista.
Publicado por rajodoas às janeiro 29, 2004 09:08 PM
Comentários
Vê lá quantos andares o bicho tem na zona???
Publicado por: j.gonçalves às janeiro 29, 2004 09:27 PM
O Sr. Miguel Cadilhe meteu a pata na poça. A Expo 98 foi talvez o maior projecto de Portugal nas últimas décadas. As benefícios que daí resultaram são enormes e em várias vertentes. O que pode criticar, e muito correctamente, foi que em alguns aspectos a gestão não foi cuidada, melhor dizendo houve má gestão – o caso dos barcos alugados por exemplo. Antes de atacar a Expo devia primeiro o Sr. Miguel Cadilhe debruçar-se sobre o CCB onde o retorno de mais valias à população já não é tão grande e onde se gastou muitas pipas de ”massa”. O valor inicial da obra não tem nada a ver com o custo final: foi como passar do dia para a noite.
E mais uma coisa não esquecer que o projecto Expo teve inicio com o PSD.
Publicado por: vmar às janeiro 30, 2004 12:46 AM
Concordo 100% com o que diz. Parece-me uma visão muito acanhada e "economicista" na sua pior versão. Também fiquei chocada. Não me parece (é verdade que não sou economista) que o mal tenha sido haver projectos grandiosos, o mal foi ficarmos por aí. O mal não é haver estádios é não haver também Centros de Saúde. Acho que são respostas a questões diferentes. E quanto à Expo 98, temos de ter a consciência que foi das poucas veses onde a nossa auto-estima subiu. Num povo que tem de si mesmo uma auto-imagem tão fraquinha, haver alguma vez onde se sentiu bem consigo mesmo, creio ter um valor que não pode ser contado em euros ( ou escudos). Há para aí algum bairrismo também. Sei de pessoas do Porto que não vieram à Expo com o argumento desse despesismo e que não tinham tempo, ou ficava longe... Por acaso sei que foram a Sevilha! É preciso paciência!!! E, acabando como comecei, acho que exactamente os nossos governantes tem vistas curtas e as "poupanças" que fazem é à moda de Salazar, acanhadinho e doméstico. Sem semear não podemos colher.
Publicado por: mllg às janeiro 30, 2004 08:29 AM
Eu acho que vocês estão a passar ao lado do verdadeiro cerne das afirmações. O que me parece é que o sr. M.C. se referia à questão das prioridades e não das obras em si.
Claro que, se eu comprar um Ferrari é um investimento bestial, mas se não tiver dinheiro para almoçar condignamente todos os dias...
Um abração do
Zecatelhado
Publicado por: Zecatelhado às janeiro 30, 2004 11:47 PM