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janeiro 18, 2004
Conceitos errados na educação geracional
É corrente ouvirmos, sobretudo aos avós, dizerem que as crianças de
hoje, são muito mais inteligentes, referindo-se óbviamente aos seus ne-
tos, que as crianças do tempo dos seus filhos. Nada mais errado tal con-
ceito e explicamos porquê:- As crianças de há trinta anos eram após o
seu nascimento acompanhadas normalmente pela mãe uma vez que o
pai era o garante do sustento familiar e os avós não estavam disponíveis.
Embora, nesse altura já existissem jardins de infância em número reduzi-
duzido e portanto as crianças até irem para a instrução primária só tinham
o acompanhamento educacional das mães e nalguns casos de avós.
Como as mães eram normalmente domésticas e algumas só possuiam o
ensino básico, como habilitações, a criança do ponto de vista de desenvol
vimento, pouco sabia para além daquilo que a mãe entendia dever ensi-
nar-lhe. Mas havia no entanto uma preocupação quase comum a todas
essas mães, que era a de lhes ensinar a respeitar as pessoas mais velhas
e as regras elementares das chamadas boas maneiras. Podemos daí infe-
rir que embora as crianças não tivessen a desenvoltura que têm as de ho-
je, com a mesma idade, era fundamental para as mães desse tempo a
chamada educação das boas maneiras. É evidente que hoje as crianças
dispõem de estruturas e meios que as de há 30 ano, não tinham. Cêdo
por razões de trabalho quer do pai e da mãe as crianças vão para jardins
infantis ainda em bercário e ali logo de tenra idade começam a lidar com
uma realidade com que antigamente não lidavam os da mesma idade e
isso confere-lhes uma maior desenvoltura. Quanto vão para o infantário
começam logo a ter contacto a chamada realidade pré-escolar, o que
também a maioria não dispunha antes. Depois e já no chamado ensino
básico, passam rápidamente a ter contacto com as chamadas novas
tecnologias nomeadamente a senhora professora, entre a relação dos
livros, cadernos e material escolar que aconselha aos pais comprarem
inclue uma calculadora algumas das vezes pasme-se já com o disposi-
tivo de cálculo com fórmulas aqueles disparates que o ensino permite
e ninguém contesta. Para além disso os meninos, pelo menos aqueles
cujos pais têm recursos financeiros, muito cêdo, têm contacto com um
PC. Tudo isso erradamente faz com que a maioria dos avós de hoje pen-
se que os seus netos, face à sua desenvoltura, são mais inteligentes que
os seus filhos ou seja os próprios pais. Pois nós diremos, com toda essa
possibilidade anteriormente referida, dos meios tecnológicos, calculado-
ras de bolso sofisticadissimas, os míudos, regra geral não sabem a tabua-
da, dão erros de ortográficos incrivéis, têm uns conceitos básicos na ma-
nipulação de um PC, a taxa de aproveitamento escolar é cada vez mais
baixa e no entanto no conceito dos avós são mais inteligentes que os seus
próprios pais.
Publicado por rajodoas às janeiro 18, 2004 04:54 PM
Comentários
Concordo em absoluto!
Um abração do
Zecatelhado
Publicado por: Zecatelhado às janeiro 18, 2004 06:08 PM
Ok!
Tudo no lugar certo.
Eu como sou dos tais do antigamente, só tenho a acrescentar que eramos muito mais tímidos.
Publicado por: j.gonçalves às janeiro 18, 2004 09:57 PM
Raul, as crianças de hoje são diferentes do passado recente assim como os tempos de hoje também pouco têm a ver com o daqueles tempos. O mundo mudou e a sociedade também. Está melhor? Está pior? É difícil responder; melhorou nalguns aspectos ( nalguns significativamente) noutros houve um retrocesso. O mais importante a reter foi a evolução que registou. Alguns aspectos que o Raul critica, deve-se à má utilização dos mesmos. Ou seja quase tudo na vida tem duas facetas: a boa e a má. Muitas vezes a má utilização sobrepõe-se à boa. Se utilizar correctamente as tecnologias o efeito funesto das mesmas será diminuto. Os computadores vieram revolucionar toda a nossa sociedade, e hoje já não poderíamos viver sem eles – a menos que regressássemos à idade média – no entanto os mesmos são usados para actividades criminosas ou mesmo pedófilas. O problema está nos computadores? Evidentemente que não! O problema está nos HOMENS!
Publicado por: vmar às janeiro 18, 2004 10:04 PM
Caro Victor, reparará pela leitura do post que eu não estou a criticar de forma alguma as novas
tecnologias o seu uso pelos jovens. Critico sim é
a leitura que hoje em dia os avós fazem à inteligência dos netos. Os coeficientes dos de hoje não são mais nem menos dos de há 30 anos. Eu pretendi apenas e só chamar a atenção para o facto de alguns avós confundirem desenvoltura nos
netos, com inteligência, foi só isso nada mais.
Publicado por: congeminações às janeiro 18, 2004 10:57 PM
Se tivesse endereço mandava-lhe um textozinho engraçado, mas grande para o copiar aqui para os comentários. Percebo muito bem o que quer dizer embora o seu post possa ter 2 leituras como se viu. A verdade é que não são apenas os avós, mas mesmo alguns pais, que confundem as coisas. Uma criança hoje sabe utilizar tecnologias que um adulto só aprendeu tarde, mas utilizá-las não quer dizer que as conheça. É vulgar ouvir um adulto dizer que "o meu filho de 4 ou 5 anos já sabe utilizar um computador" quando o que a criança sabe é jogar um jogo usando determinados botões ou teclas. Ou "já lida com o vídeo" quando o que sabe é carregar num botão. Tecnicamente faz mais vista acender uma luz eléctrica mas é muito mais difícil acender um candeeiro de petróleo. Agora o que acho que pode ser inquietante, para quem é mais velho, é uma diferença muito grande de valores. Hoje, quer crianças quer jovens adultos querem TUDO, e JÁ ou então não vale a pena...Não ensinamos os nossos jovens a lidarem com a frustração e isso vai sair caro.
Publicado por: mllg às janeiro 19, 2004 05:09 PM