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dezembro 13, 2003

Um questão de conceito

Segundo o bastonário da ordem dos médicos as pessoas, provando
que estão mais esclarecidas, fazem chegar aquele orgão de classe
mais queixas que anteriormente se registavam. Salvaguardou que
tal não significava que se estivesse perante um aumento de casos
de aparente negligência médica. É caso para dizer então que os por-
tugueses só agora acordaram para os seus direitos mais elementa-
res que é o de protestarem contra aquilo a que se chama a presta-
ção de um mau serviço médico. Não concordo com a leitura do se-
nhor bastonário antes pelo contrário. Quase não há dia nenhum em
que sobretudo a imprensa escrita não relate um acontecimento so-
bre uma alegada negligência médica praticada neste País. Umas
com mais gravidade do que outras, mas podemos dizer que são no
mínimo preocupantes. É certo que qualquer profissional tem o direi-
to de errar no exercício das suas funções porque ninguém é perfeito
naquilo que faz. Mas se atendermos ao facto de que os profissionais
de saúde de hoje dispõem de meios de diagnóstico sofisticadissimos,
que lhes permite recorrer a eles com frequência e fazem-no. Como
é que se pode compreender que os erros em vez de diminuirem, au-
mentem. Por outro lado o senhor bastonário também não referiu dos
processos de inquérito que dão lugar à instauração, julgo, de proces-
sos disciplinares, quantos profissionais são penalizados e que tipo de
penas são aplicadas. Será que este fenómeno não se prende com a
existência de uma diminuição da qualidade dos clínicos que prestam
serviço nas unidades de saúde? Quem não se lembra da figura do anti-
go Delegado de Saúde que na Província, sem os meus de diagnóstico
que existem hoje, conseguiam realizar verdadeiras proezas profissio-
nais no campo de saúde. Ás vezes até cirúrgias praticavam sem se-
rem cirurgiões. Frequentavam poucos congressos ou até nenhuns e a
sua actualização era só por via da leitura de livros científicos e pela
pratica, muita pratica que faziam questão de possuir. Hoje, para além
dos excessivos congressos, da possibilidade do recurso à internet pa-
ra troca de impressões com outros profissionais de saúde os médicos
dispõem hoje de um mamancial de recursos consultivos que fazem
com que não se justifique os erros que hoje em dia cometem. Não se-
rá que estamos perante uma falta de brio profissional?

Publicado por rajodoas às dezembro 13, 2003 01:10 PM

Comentários

Muito bom, muito bom, concordo plenamente!

Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: Zecatelhado às dezembro 13, 2003 07:08 PM

Correcto Raul. O que passa é que o lobby médico é tradicionalmente muito forte no nosso país. Por outro lado mesmo quando ajuízam um erro dos colegas os médicos desculpam-se e protegem-se mutuamente. Enquanto não houver um organismo independente que ajuíze com rigor os actos médicos os doentes estarão sempre à mercê do médico. Só em casos escandalosamente flagrantes tem sido possível indiciar o médico.

Publicado por: vmar às dezembro 13, 2003 09:55 PM

Concordo plenamente, o lobby médico é fortíssimo em portugal. Praticamente escapam a tudo e têm uma capacidade de pressão gigante nos governos. Fico a pensar se não seria um bom investimento, acumulando com um trabalho de ajuda externa, se fossemos buscar profissionais de saúde qualificados à ex-união soviética. Tenho ideia que ficariamos melhor servidos, e isto com um custo mínimo, talvez umas aulinhas de português...

Publicado por: Maloa às dezembro 15, 2003 11:18 AM