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dezembro 29, 2003

O sentido de oportunidade de uma Fundação


Pelos últimos acontecimentos registados neste País, cada vez mais se
comprova que o recurso à constituição de "Fundações", se torna um
meio para obtenção de benefícios que são consagrados às ditas, para
as quais pouco ou nada se exige como contrapartida. Já existem Fun-
dações para todos os gostos e provávelmente irão ainda constituir-se
mais. Pelos vistos não existe nenhuma limitação à sua existência e
presentemente a sua quantidade quase se assemelha a uma cultura
de cogumelos. Com excepção da Fundação Calouste Gulbenkian que
efectivamente tem desenvolvido neste País uma actividade quer do
ponto de vista cultural, quer artístico, quer social, digna da destaque.
Todas as outras e são mesmo muitas, passam despercebidas nas acti-
vidades a que se dedicam sabendo-se no entanto que os benefícios que
colhem, esses sim, absolutamente palpáveis e contribuem substancial-
te para o emagrecimento da receita fiscal. Aliás este recurso sistemá-
tico à constituição de Fundações, quer por designação individual quer
colectiva, cada vez mais nos suscita muitas dúvidas quanto às suas re-
ais intenções levando-nos mesmo a pensar que os objectivos são pou-
co transparentes. Quem porventura conhece a entidade fiscalizadora
do funcionamento das Fundações e quem fiscaliza o exercício da acti-
vidade para que foi constituída? E dirão. Isso é conhecido através dos
relatórios e contas da actividade, publicados ao fim de cada ano, no
Diário da República e nos Jornais Diários em que tal é publicitado. Sa-
bemos que sim. Como também sabemos que as empresas que embo-
ra não publicitando os seus relatórios e contas, apresentam os seus
resultados de exercício sempre negativos e vão sobrevivendo ano
após ano, sem falirem conseguindo ludibriar o fisco descaradamente.
Parece chegada a altura de se pôr um travão a esta desenfreada cons-
tituição de Fundações, que no fundo não servem se não para subver-
ter as nobres intenções dos legisladores na sua criação, tendo em vis-
ta os objectivos que acabam por atingir.

Publicado por rajodoas às dezembro 29, 2003 07:43 PM

Comentários

Lembro-me de outra além da Gulbenkian, a de Serralves. Mas como dizes as boas intenções da lei já há muito que foram abusadas por oportunistas.

Publicado por: Rui MCB às dezembro 29, 2003 08:24 PM

Também criei a minha Fundação! Onde é que eu me posso inscrever para sacar algum?
"Fundação Os Cães Ladram e a Caravana Passa" Um serviço de utilidade pública.

Publicado por: canzoada às dezembro 29, 2003 09:36 PM

Oportunistas, artistas, e muitos outros "istas"!


Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: Zecatelhado às dezembro 29, 2003 10:38 PM

Mesmo os legisladores não têm as mãos limpas e as cabeças tranquilas. Em relação às Fundações há, obviamente, uma estratégia! Nada acontece por acaso, sempre em prejuízo dos mesmos!

Publicado por: Placard às dezembro 29, 2003 10:43 PM

Conseguiram fazer-me rir;
Não deve existir povo como este, há séculos e seculos a comer e a calar.
Deu-se o 25 de Abril, que veio acrescentar mais qualquer coisa ao comer e calar, agora temos o votar; mas não é quem nem assim param de nos lixar!
Será do fado? será de Fátima? ou será que é do futebol???

Publicado por: Rodrigo Ribeiro às dezembro 29, 2003 11:01 PM

Pois é.Lá diz o fado. Tudo isto é triste, tudo isto existe, tudo isto é fado. Até quando?

Publicado por: congeminações às dezembro 29, 2003 11:06 PM