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dezembro 23, 2003

Nunca fui grande entusiasta

Por este tipo de festas que são promotoras do consumismo. Cada vez
mais me causam um certo nervosismo, porquanto, sendo rotuladas das
chamadas festas de família, noto que o afastamento entre as famílias
se acentua à medida em que esta competição pelos bens supérfluos se
torna uma obsessão. Esta quadra serve de pretexto para os mais abas-
tados exibirem os seus relógios de pulso de milhares de euros, o tele-
móvel topo de gama, para continuarem a atender enquanto conduzem,
sim, que isso da proibição em condução, com sanção de apreensão de
carta, isso não é para levar a sério e se fôr necessário recorre-se ao
conhecimento influente para ajudar a resolver o problema. Enfim, faze-
rem aquela passagem de ano no Hotel X, de renome, em que a ceia
custa mais que o salário mínimo para uma família carenciada sustentar
os seus 3 ou 4 filhos. Já para não falar no automóvel topo de gama
que foi oferecido à esposa como compensação de um deslize, num ro-
mance curto com a secretária que foi descoberto pela mesma. E ainda
a satisfação de uma exigência do filho mais velho recém-encartado que
ficou aparentemente afectado com a infidelidade do pai face ao desgos-
to causado à sua querida mãe e como forma de compensação também
lhe é ofertada aquela moto que sempre desejou. Em resumo. Esta qua-
dra está absolutamente desvirtuada do seu objectivo concreto que é o
de as pessoas demonstrarem a sua solidariedade, com os que mais so-
frem quando afinal nem sequer partilham alguns dos seus bens com os
mais carenciados. Deveria ser uma quadra em que pelo menos a frater-
nidade fosse manifestada, quando pelo contrário, as pessoas ainda se
afastam mais dos que lhes são próximos. Deveria ser a altura para per-
doarem os mal entendidos gerados durante o ano fossem esclarecidos
e se tivessem originado corte de relações, elas fosem reatadas, mas tal
não acontece. Em conclusão. O Natal já não é o que era nos meus tem-
pos de jovem perdeu o encanto e estou ansioso que passe o mais de-
pressa possível porque não me dá nenhum prazer ou satisfação vivê-lo.

Publicado por rajodoas às dezembro 23, 2003 09:13 PM

Comentários

É o exibicionismo da sociedade de consumo ou...o como já comentei noutros posts:

O Natal é uma época em que se apregoa “aos quatro ventos”, o amor, a fraternidade, a solidariedade, etc...
Contudo não passa da hipocrisia de muita gente.
Era preferível que em vez apregoar estes sentimentos numa fracção curta do ano, o fizessem efectivamente durante o resto do ano. A grande maioria, no resto do ano, passa para trás das costas os valores que agora são estandarte da época.
Não quero com isto dizer que não haja sinceridade de muitas pessoas; algumas acreditam nisso piamente. A questão é que estas acções de meia dúzia de dias não resolvem problema nenhum.
A grande festa do Natal, resume-se aos grandes negócios que se fazem por esta altura do ano, um pouco por todo o lado, e que deixam felizes uns quantos “Senhores”.

Publicado por: vmar às dezembro 23, 2003 10:52 PM

Muito bem!!!


Um abração do
Zecatelhado

Publicado por: Zecatelhado às dezembro 23, 2003 11:24 PM

Se o ministro da tutela tivesse a pedalada do da saúde, por exemplo, a questão estava resolvida. A melhor forma de acabar com os pobres é matá-los! Entretanto deve ser nomeado um grupo de trabalho inter-ministerial, como o do estudo da revisão do salário mínimo, para suprimir da língua e dos dicionários a palavra "solidariedade"! São projectos para 2004, paralelamente com o objectivo de aumentar os lucros da Brisa!

Publicado por: Placard às dezembro 23, 2003 11:32 PM

Um bom Natal para toda a gente aí em casa.
Um abraço,
Francisco Nunes

Publicado por: Planície Heróica às dezembro 24, 2003 12:05 AM

Parece-me haver um conflito entre um teu Natal e um poderoso e observável Natal que nos desmotiva...segue o poder criador do "teu" Natal.

morfeu

Publicado por: morfeu às dezembro 25, 2003 05:43 PM