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novembro 23, 2003

Intenções de alargamento da idade de reforma


Recentemente o ministro Bagão Félix, anunciou ser sua intenção alar-
gar a idade da reforma, com vista a rentabilizar o fundo de pensões
que como é sabido tem últimamente levado violentos rombos e se
encontrada quase descapitalizado. Temos todos consciência disso e
pessoalmente interrogo-me que garantia terão as gerações jovens
trabalhadoras de que, quando chegar a sua vez de atingirem a idade
da reforma, exista o fundo de pensões através do qual eles usufruam
da pensão a que naquela altura tenham direito. Também me causa
preocupação, não só pelos meus mas também por todos aqueles que
agora são o garante da manutenção do fundo de pensões, com o des-
conto mensal que é produzido nos seus ordenados. Mas voltando ao
anúncio da intenção do ministro titular da pasta do Ministério do Traba-
lho e da Solidariedade, em prolongar a idade da reforma, julgo que se
trata de uma medida errada e lesiva sobretudo do direito dos trabalha-
dores e passo a explicar:
Em matéria laborar, como é sabido, existem trabalhos mais desgastan-
tes que outros. Salvo raras excepções, como por exemplo a profissão
de mineiro que é considerada de desgaste rápido, outras há em que
não sendo tão desgastantes, também não deixam de provocar nas
pessoas que as exercem problemas de outro tipo, como sendo os ope-
rários fabris, os metarlúrgicos, os empregados da industria hoteleira
e afins etc., que durante a execução das suas tarefas estão quase sem-
pre em pé, fazem esforços fisícos com alguma violência etc.. Como é
possível exigir-se a um desses profissionais que quando chega aos 60
anos de idade, já está por vezes cheio de problemas de saúde, que
tenha de esperar não sei quantos anos mais para que tenha direito à
sua reforma. E a entidade patronal, que ganha com isso? O senhor Mi-
nistro está-se a esquecer que um indivíduo que trabalha por exemplo
numa cozinha de um qualquer refeitório de confecção de refeições em
número significativo, consiga reunir mais forças para a partir dos 60
anos, continuar a dar a mesma resposta satisfatória que seja no de-
sempenho da sua função. É evidente que não. Portanto antes de por
em prática as suas intenções primeiro estabeleça com rigor uma tabe-
la para as profissões de maior desgaste profissional, depois recolha a
opinião das entidades patronais sobre o assunto e concluirá que a sua
ideia não é solução. Tente outra.

Publicado por rajodoas às novembro 23, 2003 01:23 PM

Comentários

Este ministro é cego!!!
Por um lado deixa que as empresas enviem trabalhadores com 50 e poucos anos para a situação de pré-reforma, por outro quer aumentar a idade de reforma. Como se compreende isto?

Publicado por: canzoada às novembro 23, 2003 07:20 PM

Não é de estranhar que um executivo que não toma medidas a pensar no bem estar dos portugueses tome medidas, ou pense tomar como estas. Toda a governação tem sido orientada por princípios académicos que em nada sugerem política social. Assim não vamos longe porque antes dos resultados já as pessoas estão em muito maus lençois. Ninguém espera que um ministro iluminado, que tem o seu gabinete de apoio e todas as mordomias, compreenda na realidade o que é trabalhar no duro uma vida inteira, em profissões altamente exigentes a nível físico. É ridículo.

Publicado por: Maloa às novembro 26, 2003 09:08 AM