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novembro 23, 2003
Admiração por tanta incompreensão
Os funcionários públicos com quem por vezes troco impressões fi-
cam admirados, por encontrarem no público que atendem nas
suas repartições, pessoas com uma intolerância para com eles, in-
compreensível do seu ponto de vista. Pelo que me vou apercebendo
quando tenho de tratar de algum assunto numa qualquer repartição,
constato que efectivamente a má impressão quase generalizada que
o público tem para com os funcionários, não é de todo injustificada e
para a qual são os próprios a contribuir e nada fazem para melhorar
a sua imagem. Se não vejamos:
A quem ainda se não deparou numa ida a um cartório notarial, verifi-
car que numa sala onde existam 5 ou 6 secretárias, apenas está um
funcionário a atender ao balcão, outro numa secretaria e as restantes
e as restantes vazias.
Idêntico cenário numa conservatória de registo predial, ou numa re-
partição de finanças enfim numa série de serviços. As secretarias va-
zias significam que pertencem a um funcionário que foi tomar a bica,
fumar um cigarro foi satisfazer ao WC uma necessidade fisiológica ou
foi a outra secção contar a um colega um episódio da sua vida particu-
lar ocorrida no dia anterior. Isto para não falar numa ou mais ausên-
cias por baixa médica, que haja em vista, o sector da administração
pública é dos que apresenta uma taxa de absentismo muito elevada.
Resultado, formação de filas enormes nas repartições públicas para
por vezes conseguir-se obter uma simples informação. Sim porque se
fôr para tratar de um qualquer assunto a morosidade acresce. E quem
não se confrontou já com situações do tipo "olhe desculpe "não está
aqui ninguém para atender o senhor ou a senhora não me pode dar
uma informação? Resposta imediata. Isso não é comigo tem de
aguardar a colega que está no atendimento. Entretato a espera con-
tinua e vamos assistindo à conversa entre a pessoa que abordamos e
outra colega sobre como foi passado o seu fim-de-semana etc., etc..
É certo que há uns anos atrás foi instituída a obrigatoriedade do livro
de reclamações, nas repartições públicas. Provávelmente volvidos todos
estes anos ainda nenhum terá chegado à última página, o que também
é natural. Os portugueses acabaram no fundo, por se habituar ao mau
funcionamento dos serviços públicos e como também não tiveram mui-
ta certeza na eficácia do resultado das reclamações exaradas no livro
porque infelizmente as coisas não têm melhorado nada, antes pelo con-
trário têm piorado, o que querem é ver-se livres do local o mais
depressa que lhes fôr possível e voltar lá tão cedo.
Publicado por rajodoas às novembro 23, 2003 11:12 AM
Comentários
Se na questão de fundo concordo, ou seja os funcionários públicos ainda têm uma desresponsabilização grande face ao público, o que resulta em situações desagradáveis, já não posso concordar que essa situação se agravou. Acho que as coisas estão um pouco melhores. O sistema é péssimo. Nas ditas conservatórias e notarios as condições são más, o que traz obviamente uma certa frustração aos que lá trabalham. Depois atender ao público não é "pêra doce", resumindo, acho que as coisas estão más, mas podia ser bem pior, porque a questão de fundo passa pela crise de identidade das instituições, pela falta de meios e sistemas completamente ultrapassados.
Publicado por: Maloa às novembro 23, 2003 12:29 PM
O sistema pelo qual se rege a função pública está ultrapassado. Aqui é que está o busilis da questão! Há funcionários que "metem atestado" por tudo e por nada, não se chama "estar doente" diz-se "vou meter atestado")também há outros que trabalham e dão o seu melhor diáriamente sem andarem nessa pouca vergonha dos atestados. As chefias para não terem mais problemas ainda, regra geral dão "muito bom" a todos. As promoções são automáticas, quem dá o seu melhor não se vê recompensado por isso, está em igualdade de circunstâncias com a malta dos atestados. Aqui é que está o problema!!!
Publicado por: canzoada às novembro 23, 2003 07:28 PM
Estou de acordo com o comentário anterior e conheço-o pessoalmente. Efectivamente é assim as
pessoas não apresentam atestado médico por se encontrarem doentes. Quando estão afectadas com
um qualquer problema pessoal, familiar ou de serviço, usam essa expressão, "vou meter atestado". E metem, estando dias, meses, enfim o período que lhes apetece, em casa, recebendo o vencimento, apenas sem o subsídio de alimentação e o desconto de 1/6, que só ocorre nos primeiros
30 dias, sendo esta a razão conforme referi no meu post que provoca a taxa de absentismo expressiva na função pública. Claro como é óbvio
estamos a falar dos funcionários com vínculo que assim procedem.
Publicado por: congeminações às novembro 23, 2003 10:34 PM